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Kenya pode finalmente cumprir a promessa de petróleo de Turkana?

Gulf Energy assume Turkana e mira produção comercial até 1º de dezembro, começando com 20 mil barris/dia e chegando a 50 mil até 2032, com garantias sobre terras e benefícios locais

A Turkana elder stands in front of a boma in the settlement of Kapese. Image by Christopher Clark for Mongabay.
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  • A descoberta de petróleo em Lokichar, Turkana, foi feita pela Tullow Oil em 2010, com estimativa de mais de 500 milhões de barris.
  • Em setembro de 2025, a Gulf Energy Ltd. assumiu a participação da Tullow por 120 milhões de dólares; o governo do Quênia ficou com 25% do projeto.
  • A Gulf Energy afirmou que investirá cerca de 6 bilhões de dólares no desenvolvimento dos campos de Turkana, com produção comercial prevista para 1º de dezembro deste ano.
  • Na primeira fase, a produção seria de aproximadamente 20 mil barris por dia, chegando a 50 mil barris por dia até 2032, conforme o plano de expansão de infraestrutura e exportação.
  • Comunidades locais tiveram ganhos com títulos de terra sob a Lei de terras comunitárias, com direito a 5% da participação de receitas nacionais de petróleo, enquanto persiste preocupações sobre transparência, salvaguardas ambientais e segurança.

Lokichar, Kenya — Um projeto de petróleo na região de Turkana avança apenas lentamente, apesar de promessas históricas. A descoberta de mais de 500 milhões de barris pela Tullow Oil em 2010 motivou um boom que nunca aconteceu, e hoje o foco está na transação mais recente com a Gulf Energy Ltd.

A Gulf Energy, trader sediado em Nairobi, adquiriu a participação da Tullow em Turkana por 120 milhões de dólares, em setembro de 2025, mantendo o governo keniano com 25% de participação. A empresa propõe investir cerca de 6 bilhões de dólares no desenvolvimento dos campos de petróleo da região.

Em fevereiro, durante uma audiência parlamentar, o presidente da Gulf Energy, Francis Njogu, afirmou que a produção comercial pode começar até 1º de dezembro deste ano, com 20 mil barris por dia na primeira fase, expandindo para 50 mil até 2032. A meta inclui ampliar infraestrutura e capacidade de exportação.

Apesar das promessas, a população local permanece cética. As comunidades de Kapese, Nakukulas e Lokichar asseguraram títulos de terra coletivos sob a Lei de Terras Comunitárias de 2016, fortalecendo a gestão local. Os moradores exigem garantias sobre proteção de terras, salvaguardas ambientais e participação nos benefícios econômicos.

Especialistas apontam que o acordo revisado pode permitir à Gulf Energy absorver até 85% da produção anual para cobrir custos, reduzindo a parcela do governo e levantando dúvidas sobre benefícios diretos para as comunidades. Questionamentos sobre a competitividade do processo de contratação também aparecem entre atores locais.

Preocupações ambientais, avaliações não concluídas e aumento de violência entre comunidades integram a lista de entraves. Além disso, a logística de escoamento é desafiadora: o escoamento inicial depende de transporte rodoviário, com até 200 caminhões para mover 20 mil barris diários por rotas vulneráveis.

A ideia de um oleoduto de 895 quilômetros para o porto de Lamu foi abandonada, elevando a dependência de transporte rodoviário. Observadores questionam se o projeto conseguirá atingir produção comercial estável, dadas as dificuldades de governança, custos crescentes e mudanças no cenário global de energia.

Para líderes locais, ainda pesam temores de insegurança que pode interromper operações. Mesmo diante de promessas de emprego e negócios para Kenianos, as garantias de benefício econômico permanecem incertas enquanto o desenvolvimento avança lentamente no norte do país.

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