- Neandertais podem ter usado alcatrão de bétula, extraído da casca das árvores, tanto para ferramentas quanto como possível remédio para feridas.
- Um estudo na revista PLOS One produced o alcatrão em laboratório com três técnicas, imitadas das utilizadas pelos neandertais, para avaliar suas propriedades antibacterianas.
- Ao testar contra bactérias, quase todas as amostras frearam o crescimento de Staphylococcus aureus; o alcatrão da bétula-prateada, via o método mais elaborado, foi o mais eficaz.
- Há debate entre especialistas: alguns questionam se o alcatrão tinha função medicinal real ou apenas uso como cola; outros apontam que plantas medicinais ainda eram exploradas na época.
- A pesquisa reforça a ideia de que os neandertais tinham conhecimentos práticos avançados e que a paleofarmacologia pode colaborar na busca por novos remédios contra resistência antimicrobiana.
Neandertais podem ter usado alcatrão de bétula como antibiótico natural para tratar feridas, segundo estudo publicado na revista PLOS One. O trabalho, liderado pelo arqueólogo Tjaark Siemssen, da Universidade de Oxford, recriou técnicas antigas para produzir o material. A equipe avaliou propriedades antibacterianas do alcatrão, obtido a partir de cascas de bétula, em laboratório.
Os pesquisadores compararam três métodos de produção, inspirados em práticas artesanais. O objetivo foi verificar se, mesmo com tecnologia rudimentar, o material poderia inibir bactérias associadas a ferimentos. O experimento utilizou cascas de espécies ligadas a sítios arqueológicos.
O teste mostrou que quase todas as amostras impediram o crescimento de Staphylococcus aureus, comum em infecções de pele. O método mais elaborado, com bétula-prateada, teve o melhor desempenho. Uma combinação de outra espécie com o método simples não apresentou efeito.
Contexto histórico
A descoberta reforça a ideia de que neandertais tinham conhecimento prático amplo, incluindo manejo de ferimentos e cuidados com doentes. Fragmentos de alcatrão já eram encontrados em sítios europeus do final do Pleistoceno, tradicionalmente vistos como cola para armas.
Interpretações e debates
Especialistas avaliam a hipótese com cautela. Pesquisadores citados reconhecem que o alcatrão pode ter funções diversas além de remédio, como defesa contra insetos. A evidência atual sugere, porém, potencial uso medicinais, ainda que não seja definitivo.
Perspectivas científicas
Os autores destacam o valor de combinar farmacologia indígena e arqueologia experimental. O estudo aponta para uma possível continuidade de saberes, com impactos na compreensão de remédios antigos e na busca por antibióticos diante da resistência bacteriana.
Observações finais
O trabalho ilustra que neandertais tinham repertório técnico-instrumental variado. As conclusões sinalizam caminhos para futuras pesquisas sobre usos medicinais de substâncias naturais na pré-história.
Entre na conversa da comunidade