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Delícias terrenas: novo livro revela mistérios e influência da arte rupestre

Livro analisa técnicas e estética dos petroglifos, mostrando como a arte rupestre revela desenvolvimento humano, mudanças de comportamento e vínculos culturais globais

Metamorphoses III, a work inspired by rock art by the paper artist Therese Weber
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  • O livro Rock Art and its Legacy in Myth and Art: Petroglyphs from Eurasia, Arabia and Northern Africa, de Christoph Baumer, explora petroglifos e suas técnicas, estética e o que revelam sobre o desenvolvimento humano.
  • O volume discute locais como Mont Bégo, mostrando que cerca de oitenta por cento dos petroglifos representam bois, enquanto formas antropomórficas somam apenas um por cento.
  • A obra destaca as dificuldades de datar imagens e entender seus contextos, lembrando que um mesmo sítio pode ter imagens criadas ao longo de dois mil anos.
  • Aponta mudanças na presença de cenas de caçadas para atividades de manejo de animais, além da transição de armas usadas contra presas para uso contra pessoas, indicando evoluções culturais.
  • O livro aborda a influência da arte rupestre na prática artística moderna, incluindo Therese Weber, com referências a artistas como Paul Klee, e menciona uma exposição promovida pelo Museu de Arte Moderna de Nova York em mil novecentos e trinta e sete.

Surgindo como uma síntese de antropologia, arqueologia e história da arte, o livro Rock Art and its Legacy in Myth and Art: Petroglyphs from Eurasia, Arabia and Northern Africa reúne pesquisas globais sobre as técnicas, estilos e significados das rochas gravadas. Do encontro inicial de Pierre de Montfort, em 1460, na Vallée des Merveilles, à avaliação contemporânea, a obra traça um panorama das várias faces da gravura rupestre na Ásia, África, Europa e Oriente Médio.

Os autores apresentam petroglyphs como imagens esculpidas em rochas não transportáveis, destacando que cerca de 80% das gravuras de Mont Bégo retratam bovinos, com formas antropomórficas representando apenas cerca de 1%. A leitura das imagens permanece complexa e frequentemente influenciada por hipóteses que o autor critica, especialmente teorias que reduziriam a arte a rituais xamânicos sem fundamentação histórica.

A obra explica as dificuldades de datação e de contextualização, já que uma mesma localização pode abrigar gravuras produzidas ao longo de até 2 milênios. Em muitos casos, não há consenso sobre a função ou o motivo de cada figura, o que reforça a necessidade de abordagens multidisciplinares.

Abordagens e exemplos

Ao longo de seus capítulos, o livro analisa sítios no norte da África, no Oriente Médio, na Europa e na Ásia, incluindo imagens que refletem mudanças na organização social, como a introdução de gado domesticado na Arábia há cerca de 8 mil anos, e alterações na representação de violência em Central Asia antes e após a Idade do Bronze.

Outro eixo importante é a circulação de mitologias. Em Tamgaly, no Cazaquistão, o cavalo surge como animal de prestígio associado ao sol, influenciando representações que vão até a Escandinávia, onde a imagem do carro solar pode aparecer substituída por embarcações com proas de cavalo.

Ligação com a arte contemporânea

O livro também discute a influência da gravura rupestre na prática artística moderna. Therese Weber, artista de papel, comenta a função comunicativa dessas imagens como forma de manter viva uma memória de mundos já não visíveis. A obra cita ainda artistas como Paul Klee e Alexey Ulturgashev, que exploram identidades originárias por meio de referências a rochas gravadas.

A publicação, da Bloomsbury Academic, tem 488 páginas, 340 ilustrações em cores e preço de 30 libras. O lançamento ocorreu em 13 de novembro de 2025. A obra de Baumer conta com um ensaio adicional de Therese Weber, ampliando o diálogo entre ciência e prática artística. As leituras sugerem um campo de estudo vasto, que convida a revisitar a origem de formas artísticas e de civilizações.

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