- Um fragmento de couro costurado, feito a partir da pele de alce, foi encontrado na região de Oregon e datado entre 12.600 e 11.880 anos atrás, sendo o exemplo mais antigo de couro costurado já identificado.
- O objeto foi descoberto em 1958 na Caverna Cougar Mountain e, após ficar guardado em museus, ganhou nova análise em estudo publicado na Science Advances.
- A costura ocorre por meio de um cordão torcido que atravessa as peças, apontando técnica especializada e não apenas ligação improvisada.
- A peça pode ter feito parte da borda de uma veste ajustada, mocassim, bolsa ou abrigo portátil, fornecendo proteção contra o frio.
- O estudo envolve cinquenta e cinco artefatos de materiais perecíveis, com agulhas de osso finas associadas ao couro, sugerindo produção de roupas ajustadas durante esse período, que sumiram por volta de 11.700 anos atrás com o aquecimento.
O fragmento de couro costurado, com cerca de 12 mil anos, foi encontrado na região central do atual Oregon, nos EUA. O achado revela domínio técnico na confecção de vestimentas ajustadas para enfrentar o frio extremo do fim da última Era Glacial.
O couro, depilado e preparado, foi costurado com um cordão torcido feito de fibras vegetais misturadas a pelos de animal. A peça, preservada em uma caverna pela secura local, é considerado o exemplo mais antigo de couro costurado já identificado mundialmente.
O estudo que embasa a descoberta foi publicado na revista Science Advances. Os pesquisadores analisaram materiais perecíveis em dois sítios arqueológicos do Oregon: Caverna Cougar Mountain e Cavernas Paisley. O material foi escavado originalmente em 1958.
A datarização indica que o fragmento foi produzido entre 12.600 e 11.880 anos atrás. A análise química identificou o couro como proveniente de um alce norte-americano, com tratamento pré-costura que evidencia técnicas avançadas.
A estrutura mostra dois fragmentos unidos por cordão costurado que atravessa uma peça e amarra a outra, indicando costura deliberada e não improviso. Arqueólogos consideram a costura o ponto central do item.
Os autores do estudo não definem a função exata, mas sugerem que poderia integras roupas ajustadas, mocassim, bolsa ou abrigo portátil. Em todos os cenários, o objetivo seria melhor impedir a entrada do frio.
O fragmento faz parte de um conjunto maior de tecnologias perecíveis analisadas nos sítios. No total, foram examinados 55 objetos de fibras vegetais, madeira e materiais animais, com 66 datações por radiocarbono, todas entre 12.600 e 11.000 anos.
Entre os achados constam cordas trançadas com diversas espessuras, sugerindo usos variados. Também foram identificados objetos de madeira que parecem partes de armadilhas simples para pequenos animais, como coelhos e lebres.
Ainda foram encontradas agulhas de osso, com 14 itens com orifício, além de peças em diferentes estágios de fabricação. Algumas das agulhas estão entre as mais finas já registradas em contextos do Pleistoceno.
As agulhas com orifício associadas ao couro costurado reforçam a ideia de produção regular de roupas ajustadas naquela região e período. A presença dessas peças some do sítio após cerca de 11.700 anos, com o aquecimento climatico no início do Holoceno.
Para pesquisadores, as descobertas mostram que os primeiros povos das Américas recorreram a soluções engenhosas frente a mudanças climáticas extremas, destacando capacidades técnicas e adaptativas significativas.
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