- Sítio de Xigou, na China central, revelou mais de dois mil e oitocentos instrumentos de pedra datados entre setenta e dois mil e cento e sixty mil anos atrás.
- Os achados, publicados no periódico Nature Communications, sugerem avanços tecnológicos na região muito antes do que se pensava.
- A maioria das ferramentas foi encontrada em fragmentos menores que cinquenta milímetros, incluindo instrumentos compostos que exigiam planejamento prévio.
- Sob o microscópio, foram identificadas ranhuras finas, indicando possível uso para cortar plantas e madeira.
- Não há confirmação de qual hominídeo produziu os artefatos; a região foi habitada por grupos como Denisovanos, Homo juluensis e Homo longi, além de Homo sapiens, no período estudado.
No sítio de Xigou, na China central, arqueólogos encontraram mais de 2.800 instrumentos de pedra com idades entre 72 mil e 160 mil anos. Os artefatos foram desenterrados entre 2019 e 2021 e divulgados nesta terça-feira pela Nature Communications. A descoberta indica avanços tecnológicos anteriores ao que se estimava para a região.
Entre os achados, destacam-se ferramentas compostas, inseridas ou amarradas a cabos para facilitar o manuseio. São os mais antigos já identificados na região, e muitos artefatos são de fragmentos pequenos, com menos de 50 milímetros. Técnicas envolvendo várias etapas apontam planejamento prévio.
Sob o microscópio, ranhuras minuciosas nas superfícies sugerem usos variados, inclusive para cortar vegetais, madeira e outros materiais. Isso reforça a ideia de comportamentos adaptativos de comunidades pré-históricas na região. A produção não é atribuída com certeza à Homo sapiens.
Contexto histórico e possíveis autores
A pesquisa aponta que as ferramentas podem ter sido criadas por diferentes hominíneos que ocuparam a área naquele período. Além de Homo sapiens, estiveram presentes Denisovanos, Homo juluensis e Homo longi. Ainda não há evidência conclusiva de quem manipulou os artefatos.
As datas colocam a região entre os locais com registro de caçadores-coletores de grande diversidade tecnológica. A presença de técnicas complexas indica planejamento, coordenação de etapas e capacidade de adaptar-se a recursos e condições climáticas locais.
Os autores ressaltam que a descoberta desafia o modelo tradicional, que via avanços tecnológicos mais demorados na Ásia pré-histórica. Os achados sugerem que o desenvolvimento tecnológico ocorreu de forma mais diversa e precoce do que se imaginava. Novas pesquisas devem confirmar a responsabilidade por cada artefato.
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