- Férreis em Dublin, Helsinque, Estocolmo e Tallinn estão entre 13 das 15 maiores cidades portuárias da Europa com mais emissões de óxidos de enxofre (SOx) provenientes de ferries do que de veículos por estrada.
- A análise da organização Transport & Environment aponta ferries como poluidores maiores do que carros em várias capitais, incluindo Atenas e Roma, além de Valletta.
- Embarcações mais antigas da frota europeia, com quase dois mil ferries, são uma fonte relevante de air poluente nas zonas portuárias.
- Os especialistas afirmam que seria tecnicamente possível e economicamente viável eletrificar 20% da frota de ferries na Europa em 2025, subindo para 43% até 2030.
- O estudo destaca que as regiões do Mar do Norte, Báltico e, a partir de 2025, do Mediterrâneo impõem limites de 0,1% de conteúdo de enxofre no combustível, contribuindo para queda de cerca de 70% nas emissões desde 2014.
Ferries são responsáveis por mais poluição por enxofre do que carros em 13 das 15 maiores cidades portuárias da Europa, aponta estudo exclusivo ao Guardian. Dublin, Helsinki, Estocolmo e Tallinn aparecem entre as cidades mais afetadas. A análise foi conduzida pela Transport & Environment (T&E), grupo de defesa de transporte limpo.
A pesquisa avaliou 100 portos marítimos europeus e comparou as emissões de óxidos de enxofre SOx com dados de veículos dentro dos limites urbanos. O foco foi em ferries que operam próximo a áreas densamente povoadas, revelando um impacto superior ao esperado.
Segundo o estudo, a idade da frota de ferries — quase 2 mil embarcações — é um factor relevante. Em muitos casos, esses navios poderiam operarem com eletricidade ou combustíveis mais limpos, reduzindo significativamente as emissões locais.
Tecnologias disponíveis e barreiras
O levantamento indica que seria tecnicamente viável eletrificar cerca de 20% da frota europeia em 2025, chegando a 43% em 2030, conforme avanço de baterias e queda de preços. Infraestrutura de recarga é apontada como principal obstáculo para adoção.
A análise ressalta que, nas regiões do Mar do Norte, Báltico e Mediterrâneo, há limites de enxofre no combustível de barcos que reduzem o teor a 0,1% em 2025, bem abaixo das metas da IMO. Juntas, as regras contribuíram para queda de 70% nas emissões de enxofre desde 2014.
Reações e exemplos locais
Em Dublin, a portaria não respondeu a solicitações de comentário. Em Estocolmo, a maioria dos clientes opera abaixo do limite de enxofre e há fornecimento de energia em terra para reduzir emissões durante a estadia no porto. Tallinn investiu em fornecimento de energia em terra e em sistemas de amarração automática em áreas históricas, com planos de ampliar a eletrificação na rota Tallinn–Helsínquia.
Para Helsínquia, o diretor de sustentabilidade do Porto afirma que a rota é adequada para embarcações eletrificadas, dada a distância curta entre as capitais. O Porto de Tallinn avalia soluções adicionais, incluindo infraestrutura de recarga para ferries híbridos ou elétricos.
Perspectivas e próximos passos
O estudo conclui que as políticas da UE para eletrificação devem ser acompanhadas de investimentos consistentes em energia, infraestrutura portuária e demanda de clientes. A promessa de reduzir poluição permanece dependente de parceria entre portos, transportadoras e governos.
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