- Eleições de 2026 podem levar ao fim de siglas com baixo desempenho, devido à cláusula de barreira que limita acesso a recursos públicos e tempo de propaganda.
- A regra exige, em 2026, pelo menos treze deputados federais ou 2,5% dos votos válidos para a Câmara, com metas que aumentam até 2030.
- Para evitar inviabilidade financeira, partidos podem formar federações ou promover fusões; federações mantêm estruturas próprias, fusões somam deputados para cumprir metas.
- Partidos mais vulneráveis citados: Novo, Solidariedade, PRD, PSDB, Cidadania, Avante, Podemos, PDT e Partido Missão, com diferentes situações de deputados e senadores.
- Algumas legendas menores podem permanecer, como PCdoB, PV e Rede Sustentabilidade, enquanto outras com sobrevivência simbólica não atingiram a cláusula em 2018 e 2022.
As eleições de 2026 podem acelerar o enxugamento de siglas com baixo desempenho nas votações nacionais. A cláusula de barreira determina desempenho mínimo para acesso a recursos do fundo partidário e tempo de propaganda em rádio e TV.
Desde 2018, a regra levou à extinção de sete partidos por fusão ou incorporação. Em 2026, ao menos nove legendas enfrentam risco elevado se não ampliarem atuação nas urnas.
Os critérios aumentam a cada ciclo até 2030. Em 2026 é preciso eleger 13 deputados federais ou obter 2,5% dos votos válidos para a Câmara, para manter os benefícios.
Para evitar inviabilidade financeira, a lei também admite federações entre partidos, com atuação como uma única legenda por até quatro anos. Outra opção é fusão para somar deputados.
Especialista em ciência política, Leandro Gabiatti aponta que fusões são o caminho mais drástico, enquanto federações ajudam siglas menores a superar a cláusula sem perder autonomia.
“As federações fortalecem grandes siglas na Câmara e ajudam menores a cumprir a meta em 2026”, afirma Gabiatti. “Sem essas opções, legendas pequenas tendem ao desaparecimento.”
Cláusula de barreira: partidos mais vulneráveis em 2026
A lista abaixo traz os partidos com maior risco, a orientação ideológica, o número de deputados e de senadores.
Novo
Direita com 5 deputados e 1 senador. O Novo perdeu 5 deputados entre 2018 e 2022, mas voltou a crescer em 2024, com atrativos como nomes como Deltan Dallagnol e Ricardo Salles. A presidência estima cerca de 25 deputados e 4 senadores em 2026.
Solidariedade
Centro-esquerda com 5 deputados e nenhum senador. Saiu de 2022 com cinco cadeiras e formou federação com PRD em 2025. Sem nomes de peso, o desafio é superar a cláusula.
PRD
Centro com 5 deputados e nenhum senador. Unido ao Solidariedade, soma 10 deputados, abaixo dos 13 necessários. Criado pela fusão de PTB e Patriota, depende de desempenho para manter-fundo.
PSDB
Centro-esquerda com 14 deputados e 3 senadores. O PSDB enfrenta crise e encerra federação com o Cidadania, buscando nova união para federar. Tentativas com o Podemos falharam.
Cidadania
Centro-esquerda com 5 deputados e nenhum senador. Em fim de federação com PSDB, mira se federar ao PSB em 2026 para manter a viabilidade.
Avante
Centro com 8 deputados e nenhum senador. Fica no limite da cláusula em 2022 e não projeta grandes puxadores. O presidente Luis Tibé descartou federação em 2025.
Podemos
Centro com 16 deputados e 4 senadores. Decidiu ir sozinho em 2026 após desistir de fusão com o PSDB, mantendo força para superar a barreira caso reeleja nomes.
PDT
Esquerda com 16 deputados e 3 senadores. Histórico poderio, mas passou por perda de protagonismo. Avalia federação com o PSB para ampliar chances.
Partido Missão
Direita sem deputados ou senadores. Nova legenda, estreia em 2026 e enfrenta alto risco de não alcançar a cláusula, por pouca notoriedade e recusa à federação.
E os demais partidos pequenos?
Alguns, como PCdoB, PV e Rede Sustentabilidade, integram federações estáveis com outros. Outros, como PSTU, DC, PCO e Agir, permanecem sem parlamentares e sem perspectivas de recuperação rápida.
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