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Projeto bipartidário não protege consumidores dos custos reais de centros de dados

Críticos alertam que o Ratepayer Protection Act não protege os consumidores dos custos reais dos datacenters e pode aumentar tarifas

A protest against AI in Springfield, Missouri.
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  • O Ratepayer Protection Act, de apoio bipartidário, busca proteger consumidores de preços de energia ligados ao boom de datacenters, mas críticos dizem que não reduz os custos reais para o público.
  • As medidas são majoritariamente voluntárias, permitindo que comissões estaduais de serviços públicos ignorem a lei.
  • O pacote também beneficiaria big tech ao acelerar a construção de datacenters, facilitar a conexão à rede elétrica e abrir brechas para empresas alegarem que pagam pela própria energia.
  • Especialistas afirmam que a proposta atende mais aos interesses de utilities e datacenters do que dos ratepayers, potencialmente aumentando custos para os consumidores.
  • Entre os impactos relacionados ao crescimento de datacenters estão elevações no preço da energia, consumo intensivo de água e pressões ambientais; uma das mudanças desejadas reduziria avaliações ambientais federais, acelerando projetos.

O Ratepayer Protection Act, projeto bipartidário apoiado por pessoas ligadas à tecnologia, propõe proteger consumidores de aumentos nas tarifas de energia diante do crescimento de datacenters. A ideia é criar salvaguardas para usuários, mas críticos dizem que a medida não segura os custos reais da eletricidade.

O texto tramita na Câmara dos Deputados dos EUA, tendo passado por uma subcomissão em meados de junho. A votação no plenário deveria ocorrer em 1º de julho, mas foi adiada. O conteúdo é, em grande parte, voluntário, o que abre espaço para que comissões estaduais de serviço público ignorem a lei.

Regiões com concentração maior de datacenters registraram elevações de tarifas de energia de até 267% nos últimos cinco anos. Aproximadamente 200 novos centros foram instalados nos últimos três anos para sustentar infraestrutura de IA, com planos de expansão em todo o país.

Críticos destacam que a proposta prioriza utilities e as próprias áreas de datacenters, deixando de lado os impactos para o consumidor. A taxa sugerida não aborda custos como consumo de água, poluição e pressão sobre infraestrutura pública.

Acesso à rede elétrica e impactos locais

Uma das disposições do projeto reduziria avaliações ambientais que costumam incluir impactos de ecossistemas e fauna em linhas de transmissão. A mudança seria um acelerador do desenvolvimento de datacenters, segundo especialistas.

Especialistas apontam ainda que o custo de conexão à rede pode atrasar projetos, levando empresas a buscar alternativas, como uso de usinas próprias ou de infraestrutura de energia limpa. Mesmo assim, a demanda por gás e componentes de infraestrutura tende a aumentar.

Dados oficiais indicam que o aumento médio de preços no atacado pode chegar a 6%, com variações regionais significativas. Em algumas regiões, o custo para o consumidor poderia ser influenciado por fatores adicionais não cobertos pela lei.

Opiniões de quem acompanha o tema

A congressista Kathy Castor, coautora do texto, afirma que consumidores devem pagar menos para sustentar demandas energéticas de grandes empresas de IA. Já organizações de defesa ao consumidor argumentam que a lei é inadequada e que protege mais datacenters do que o bolso do cidadão.

Defensores da moratória de novos datacenters defendem que o país precisa considerar impactos ambientais, hídricos e de saúde pública antes de acelerar o ritmo de construção. Eles ressaltam que a legislação atual não oferece proteção ampla aos bairros afetados.

O pacote legal enfrenta críticas de que facilita o crescimento rápido de datacenters, reduzindo avaliações regulatórias e dificultando a fiscalização. O grupo de críticos sustenta que a lei não reduz custos para os ratepayers nem resolve problemas ambientais associados aos centros.

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