- Cachês de São João atingem patamares altos no Nordeste, com valores chegando a R$ 1,5 milhão por show de 90 minutos.
- Na Bahia, a prefeitura de Caculé autorizou cachê de R$ oitocentos e cinco mil para Zé Neto e Cristiano, financiado por emenda parlamentar, correspondendo a um quarto do orçamento anual de Cultura.
- O Ministério Público estadual, junto com o Tribunal de Contas, criou painel para maior transparência nas contratações e adotou critérios objetivos baseados no cachê de 2025.
- Houve redução de contratos: 718 acordos foram revistos, resultando em economia de R$ 22,3 milhões; 53 artistas aderiram, incluindo Toque Dez, Solange Almeida, Paula Fernandes.
- Trabalhadores e gestores criticam os cachês elevados; contratos acima de R$ 700 mil passam a receber maior escrutínio do MP, com exemplos em Irecê (R$ 11,4 milhões) e Itabuna (R$ 1,5 milhão com Gusttavo Lima).
O São João do Nordeste ganhou contornos de disputa por verbas públicas, com cachês que chegaram a valores altos e geraram controvérsia entre prefeitos e artistas. Em Caculé, Bahia, município de 23 mil moradores, a festa em 2026 terá show de Zé Neto e Cristiano por 905 mil, vindo de emenda parlamentar. O valor representa cerca de um quarto do orçamento anual da pasta de Cultura local.
A escalada de cachês começou a se intensificar em 2022, após a retomada dos festejos pós-pandemia. Em 2026, prefeitos passaram a defender teto para os cachês diante de um mercado considerado incontrolável, com contratos de até 1,5 milhão por apresentação de 90 minutos.
Na Bahia, o Ministério Público estadual criou, em 2023, um painel para transparência das contratações. Em 2026, o órgão, em conjunto com o Tribunal de Contas, recomendou critérios objetivos para justificar pagamentos a artistas no São João. A regra atual utiliza a inflação de 2025 como referência.
A adoção de uma fórmula de média entre o que seria cobrado em 2026 e o ano anterior ajudou a reduzir gastos. Até agora, 718 contratos foram revistos, resultando em economia de 22,3 milhões para os municípios. Em seguida, 53 artistas aderiram ao acordo de redução.
Entre os artistas que reduziram cachês está a banda Toque Dez, com queda de 500 mil para 400 mil. Outros nomes como Solange Almeida, Mastruz com Leite e Paula Fernandes também aceitaram a renegociação, segundo apuração.
Por outro lado, algumas autoridades e artistas expressaram insatisfação com os valores. O forró Flávio José cancelou apresentações na Bahia, alegando defasagem do cachê e atraso nos pagamentos, além de justificar o custo da equipe envolvida. O caso repercutiu entre fãs e setores da música.
Occupação de palco e raízes musicais aparecem como temas de debate. Prefeitos baianos defendem um teto informal de 700 mil para cachês, prática que já resultou em queixas de artistas do forró tradicional. A disputa é vista como reflexo de mudanças estruturais no São João no interior.
Os contratos acima de 700 mil passaram a receber maior escrutínio do Ministério Público. A avaliação considera saúde financeira do município, folha de pagamento, débitos e existência de calamidade. Em Irecê, por exemplo, o gasto com cachês pode chegar a 11,4 milhões.
Em Itabuna, a prefeitura projeta gastar 1,5 milhão com Gusttavo Lima, com 995 mil de emenda parlamentar. A gestão afirma que os valores são compatíveis com outras cidades e não interfere na negociação. Emendas representam 73,6 milhões em cachês para as festas juninas na Bahia.
Medidas de transparência e fiscalização
O Ministério Público baiano e o Tribunal de Contas atuam para assegurar critérios objetivos e demonstração de capacidade financeira municipal. A expectativa é reduzir distorções e manter equilíbrio fiscal durante o período festivo.
Repercussões entre artistas
A redução de cachês gerou impactos entre as atrações, com algumas bandas revisando suas propostas comerciais para o São João. A negociação busca equilibrar a demanda de público, a visibilidade política e a sustentabilidade financeira dos municípios.
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