- Bolsonaristas não buscam apoio aberto de Trump à candidatura de Flávio Bolsonaro e preferem manter distância de endorsement público.
- Uma pesquisa da Quaest mostra ambiguidade: 28% dos pesquisados acham que o endosso aumentaria votos em Flávio, enquanto 32% dizem que ajudaria Lula.
- Dois objetivos com os EUA são prioritários: impedir moderação de big techs norte-americanas sobre conteúdos bolsonaristas e pressionar por ações contra o Brasil, incluindo sanções e tarifas, além de classificar PCC e CV como Organizações Terroristas Estrangeiras.
- Trump já teve histórico de ações de intervenção na região e tem agenda ligada ao tema, com encontros recentes e interesses de bolsonaristas em que ele se envolva no pleito brasileiro.
- No contexto brasileiro, há preocupação com soberania nacional diante de possíveis medidas dos EUA e com a possibilidade de Trump decidir apoiar Flávio, conforme andamento de visitas e negociações em Washington.
Foi sugerido por fontes alinhadas ao movimento bolsonarista que Trump não deverá declarar apoio aberto à candidatura de Flávio Bolsonaro, principal nome da direita na disputa contra Lula. A leitura estratégica é que o grupo busca impactos indiretos do apoio norte-americano, sem compromissos públicos.
Flávio Bolsonaro é visto como líder de um campo que pode enfrentar Lula em outubro. Em 2022, houve entusiasmo entre bolsonaristas por vídeos de Trump incentivando o voto em Bolsonaro, mas ações subsequentes de Washington geraram cautela entre parte da direita brasileira.
O histórico recente inclui tensões entre o governo brasileiro e sanções associadas a atuação de familiares de Bolsonaro no Congresso, o que alimenta a percepção de que traçar estratégias de interferência externa pode ter desdobramentos complexos para o pleito de 2026.
Big techs
A prioridade entre bolsonaristas é que Trump utilize suas plataformas para frear moderação de conteúdo em redes como Instagram, YouTube e Facebook, evitando remoções de posts considerados relevantes para o eleitorado. A pressão envolve possível reengajamento nas negociações com o governo brasileiro.
Essa atuação incluiria negociações sobre regulações do ambiente digital e, eventualmente, medidas contra atores institucionais no Brasil. A ideia é ampliar a liberdade de expressão sob a ótica da Constituição norte-americana, segundo a leitura de apoiadores de Trump.
No governo Lula, cresce a percepção de que as big techs representam o maior risco de intervenção externa decisiva nas próximas eleições. O-palácio cobra equilíbrio entre proteção institucional e liberdade de comunicação nas plataformas digitais.
Órgãos de segurança e grupos no Brasil
Paralelamente, bolsonaristas enxergam chance de abordar o enquadramento do PCC e do CV como organizações terroristas estrangeiras, pauta que ganhou tração após a certificação pela imprensa e pelo Departamento de Estado norte-americano. A estratégia busca justificar ações fortes no continente, sob a narrativa de combate ao crime.
Essa linha dialoga com o interesse de Trump de ampliar o enfrentamento ao tráfico de fentanyl e à imigração ilegal, bem como com a visão de que intervenções externas reforçam a posição de governos conservadores na região. O governo brasileiro, porém, tenta manter a soberania e evitar implicações de ingerência externa.
Em termos de agenda, a diplomacia brasileira já atua para evitar que tais classificações avancem, ainda que o tema permaneça objeto de debate entre assessores de Flávio e membros da Casa Branca. Flávio Bolsonaro esteve em Washington no início do ano para apresentações do movimento, em meio a questionamentos sobre eventual apoio formal de Trump. No momento, não houve confirmação de adesão do ex-presidente aos planos de campanha de Flávio.
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