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Desconfiança EUA-Europa pode durar uma geração, diz ex-assessora de Biden

Amanda Sloat afirma que a desconfiança entre Europa e EUA durará uma geração, sinalizando uma transatlântica abalada e necessidade de fortalecer instituições

Amanda Sloat, en las instalaciones de EL PAÍS en Madrid el 12 de febrero.
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  • Amanda Sloat, ex-assessora de Joe Biden, afirma que a desconfiança entre Europa e Estados Unidos pode durar uma geração e que a aliança transatlântica está sob pressão.
  • Ela, que hoje leciona em Madrid e apresenta o podcast Power & Purpose, observa retrocessos como imigração, militarização e desmantelamento de cooperação, além de questionar o funcionamento das instituições democráticas.
  • Sobre a sentença do Supremo que invalidou parte dos aranceles, diz que ajuda, mas que será difícil para empresas obterem reembolsos; a administração Trump busca novas vias para impor tarifas.
  • Reforça que é necessário que a Europa aceite resistir à deriva autoritária dos EUA, citando mobilizações como as de Minneapolis e o movimento No Kings, além de boicotes a Tesla e Disney.
  • Alega que as relações transatlânticas não voltarão ao que eram, que a Europa precisa fortalecer suas instituições e desenvolver capacidades próprias, sem depender excessivamente de Estados Unidos ou China.

Amanda Sloat, ex-assessora de Joe Biden, afirma que a desconfiança entre Europa e Estados Unidos pode durar uma geração. Em entrevista em Madrid, a politóloga aponta riscos para a aliança ocidental vigente desde a Segunda Guerra Mundial e ressalta a necessidade de Europa endurecer sua postura frente ao autoritarismo.

Questionada sobre o atual estado da democracia americana, Sloat descreve pressão sobre instituições e tensão entre ramos do poder. Observa atraso do Congresso em assumirem funções de fiscalização e destaca disputas sobre tariffs, uso da força e cortes em agências independentes. A visão é de fragilidade relativa, não de colapso.

A comentarista analisa o Supremo Tribunal, hoje conservador, como parte do embate entre poder executivo e judiciário. Citando casos envolvendo imunidade presidencial e operações de agências, ela reconhece avanços judiciais contra abusos do Executivo, como a decisão que reprovou parcialmente os aranceles.

Ameaça e resposta europeia

Sloat afirma que, apesar de a decisão do Supremo ter impacto positivo, reaver a confiança não será simples nem rápido. Ela alerta para dificuldades de recuperar recursos já pagos e antecipa novas tentativas de taxação por parte da Administração Trump.

Ao falar sobre o papel da Europa, a pesquisadora defende resistência cidadã contra a deriva autoritária americana. Observa que movimentos como protestos de massas ganharam força e que boicotes a empresas impactaram políticas de governos que atuavam junto a Washington. Mesmo assim, o recado é claro: é fundamental fortalecer as próprias instituições democráticas domésticas.

Futuro das relações transatlânticas

Sloat sustenta que as relações entre UE e EUA não voltarão ao que eram, mesmo sob um governo democrata no próximo mandato. A maior relação comercial e de segurança do mundo persiste, mas a confiança foi abalada duas vezes, segundo ela, exigindo um redesenho da parceria a longo prazo.

A entrevista aborda, ainda, o papel de grandes tecnológicas americanas na relação europeia. Com dependência tecnológica elevada, a europeia precisa desenvolver capacidades próprias para evitar pressão externa e preservar autonomia econômica.

Cenário geopolítico e defesa europeia

A analista destaca que a ausência de garantias totais de proteção militar dos EUA, em caso de agressão russa, reforça a necessidade de uma dissuasão fortalecida pela OTAN. A construção de um sistema de defesa europeu autônomo demanda tempo e recursos, porém é apontada como objetivo estratégico para reduzir a dependência de Washington.

Questionada sobre Ucrânia, Sloat defende uma solução que não imponha rendição, enfatizando o papel europeu em defender fronteiras e estabilidade regional, além de considerar o imperativo moral e estratégico de uma solução justa.

Mundo multipolar e tecnologia

Sobre cenários multipolares, a especialista aponta tendência de maior influência de potências médias. Ela alerta para o risco de Europa depender de China caso perca a confiança na aliança com os EUA, incentivando o desenvolvimento de capacidades próprias em tecnologia e infraestrutura digital.

Encerrando, Sloat relata que a mudança de país ocorreu em um momento de busca por novas perspectivas após décadas em Washington. Sua mudança para Madrid, segundo ela, foi motivada por desejo de novidades e por um contexto pessoal e profissional que valorizava o distanciamento temporário do eixo político-americano.

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