- Lula, durante a celebração de 46 anos do PT em Salvador, disse que o partido precisa construir alianças além da esquerda e não pode atuar isoladamente.
- O chefe do Executivo cobrou autocrítica do PT por ter apoiado as emendas impositivas, chamando o volume de recursos de “sequestro” do Orçamento pelo Legislativo.
- O presidente destacou a necessidade de fortalecer o PT socialmente e ampliar o diálogo com periferias e com o eleitorado evangélico, afirmando que a eleição será dura.
- O evento também lançou uma resolução do Diretório Nacional do PT criticando a política monetária e a autonomia do Banco Central, além de defender Venezuela e Cuba.
- A resolução menciona a taxa Selic em 15% ao ano; mesmo assim, houve críticas internas ao governador do BC, indicado por Lula, por não acelerar cortes.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, neste sábado, em Salvador, de uma celebração pelos 46 anos do PT. Ele cobrou autocrítica interna, defendeu alianças além da esquerda e sinalizou que o partido precisa ampliar o diálogo com diferentes segmentos do eleitorado para vencer as eleições. O tom foi de preparação para um cenário político mais amplo, com foco em construir acordos táticos para governar.
Lula afirmou que o PT não pode depender apenas de bases próprias e que acordos políticos são necessários para guiar o país. O discurso também criticou disputas internas envolvendo a sigla e pediu responsabilidade para evitar que o partido vá para a vala comum da política. O objetivo é fortalecer a atuação do partido no curto e médio prazo.
O presidente destacou a necessidade de maior presença nas periferias e de aproximação com eleitores evangélicos, lembrando que muitos recebem benefícios do governo federal. Em tom mais firme, reforçou que a eleição será desafiadora, mas mostrou confiança na capacidade do PT de organizar um projeto alternativo para o país.
Resolução do PT ataca autonomia do BC e defende Venezuela e Cuba
Durante o mesmo evento, foi divulgada uma resolução do Diretório Nacional que critica a política monetária e a independência do Banco Central. O documento sustenta que os juros permanecem em patamar restritivo e que a atuação da autoridade monetária atrapalha o crescimento econômico e o investimento.
A resolução aponta que a independência formal do BC se tornou um obstáculo à recuperação econômica, segundo o texto. O tema surge em meio ao atual patamar da Selic, de 15% ao ano, e à sinalização do Comitê de Política Monetária de possibilidade de cortes na próxima reunião, em março.
O texto também aborda política externa, manifestando apoio à Venezuela e a Cuba e condenando interferência externa nos dois países. Segundo a resolução, pressões externas na América Latina remetem a períodos históricos prejudiciais à soberania regional, defendendo uma diplomacia baseada no multilateralismo.
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