- Brasil não deverá aderir à aliança dos EUA sobre minerais críticos e terras raras, buscando autonomia no controle, produção e comercialização.
- Tema será debatido em encontro entre o presidente Lula e o ex-presidente Donald Trump, em março, na Casa Branca; relação entre os dois permanece estável.
- Estados Unidos convocaram 54 países e a União Europeia para a reunião; Brasil enviou um diplomata de nível baixo como sinal de não adesão.
- Governo avalia a ideia de Washington como “camisa de força” que atende aos interesses dos EUA; o Brasil pretende dominar o ciclo de processamento.
- O país está aberto a negociações com EUA, União Europeia, China e Índia, começando de forma bilateral, com viagens de Lula previstas à Índia e à Coreia do Sul.
O governo brasileiro não deve aderir à aliança sobre minerais críticos anunciada pelos Estados Unidos nesta semana. A posição foi defendida por auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que privilegiam autonomia no controle, produção e comercialização desses recursos.
Segundo apuração, o tema será discutido em março, em encontro entre Lula e o ex-presidente Donald Trump na Casa Branca. A avaliação é de que a negativa não comprometerá a relação institucional entre Brasil e EUA.
Amanhã, o governo americano convocou 54 países, entre eles o Brasil, e a União Europeia, para debater o bloco proposto para controlar produção, refino e preços das terras raras e minerais estratégicos.
Contexto e objetivo do governo brasileiro
Uma fonte do Palácio do Planalto reforçou que o envio de um diplomata de nível técnico à reunião foi visto como sinal claro de não adesão ao pacto. A participação teve finalidade informativa e de acompanhamento dos argumentos apresentados.
A leitura interna é de que a proposta foca em interesses dos EUA e representa uma espécie de “camisa de força” para demais nações. O Brasil detém a segunda maior reserva mundial de minerais críticos e terras raras, atrás da China.
Estratégia brasileira de processamento
O governo Lula quer dominar o ciclo de processamento para evitar exportação de matéria-prima sem valor agregado. A ideia é manter maior autonomia e parcerias que garantam desenvolvimento econômico com benefício local.
Brasileiros consideram que o tema pode abrir espaço para negociações bilaterais com EUA, UE, China e Índia. Em princípio, as tratativas ocorreriam entre os países, com agenda de cooperação tecnológica e industrial.
Perspectivas para as próximas viagens
A pauta deve figurar nas viagens de Lula à Índia e à Coreia do Sul, previstas para este mês. A intenção é alinhar posições com parceiros estratégicos e ampliar o leque de alianças em minerais críticos, sem comprometer a soberania nacional.
Além disso, o governo brasileiro segue aberto a diálogos bilaterais com diferentes blocos para assegurar o acesso a tecnologias e cadeias de valor, mantendo o Brasil como produtor com controle doméstico.
Entre na conversa da comunidade