- Três ativistas anti-fascistas alegam que o policial disfarçado Carlo Soracchi tentou incitá-los a incendiar uma loja de caridade, apontada como fachada do fascismo, durante infiltração entre 2000 e 2006.
- Soracchi nega as acusações; ele teria feito a sugestão de cometer o crime em duas ocasiões, que os ativistas teriam rejeitado.
- Um dos ativistas, Dan Gillman, afirmou que Soracchi não enviou relatório escrito aos superiores sobre a suposta sugestão, e que Gillman teria dito que ele próprio poderia ter feito tal sugestão, caso fosse verdade.
- O inquérito “spy cops” investiga a conduta de cerca de 139 oficiais infiltrados em organizações de esquerda, entre 1968 e pelo menos 2010.
- A apuração continua, com questionamentos sobre a precisão dos relatórios de vigilância de Soracchi e a atuação de outros agentes disfarçados.
Carlo Soracchi, policial de infiltração, é acusado por três ativistas de ter sugerido incendiar uma loja que funcionava como fachada de um grupo de ultradireita. O episódio ocorreu durante o início dos anos 2000, no Reino Unido, segundo depoimentos ao inquérito sobre policiais disfarçados.
Os ativistas afirmam que Soracchi fez a sugestão de ataque em duas ocasiões distintas, as quais rejeitaram de imediato por não ter interesse em qualquer forma de terrorismo. O inquérito investiga a conduta de cerca de 139 agentes undercover que vigiaram milhares de manifestantes entre 1968 e 2010.
Acusações e defesa
Soracchi, que se apresentava como ativista antifascista entre 2000 e 2006, nega as alegações e afirma que as denúncias podem ter sido fabricadas ou exageradas. O policial infiltrado também é questionado sobre supostas relações íntimas com três mulheres, mantidas sob identidade falsa.
Durante o depoimento, Joe Batty relatou que Soracchi esteve em uma festa de Ano Novo com os ativistas em 2002 e mencionou uma loja de caridade próxima a um evento, ligada a Roberto Fiore, figura associada ao extremismo. Batty descreveu que a sugestão de incêndio foi feita com tom de provocação, mas os ativistas não teriam atuado.
O terceiro ativista, Steve Hedley, disse ter instruído Soracchi a não se expor a situações de risco, argumentando que a polícia buscava atrair os ativistas para envolvimento em crime grave. O inquérito deve ouvir ainda a defesa de Soracchi sobre a veracidade dos relatórios de vigilância. O processo continua.
Entre na conversa da comunidade