- O deputado federal e ex-diretor da ABIN Alexandre Ramagem fugiu do Brasil pela fronteira norte, com destino aos Estados Unidos.
- A fuga ocorreu em setembro e contou com a colaboração de facilitadores, incluindo Celso Rodrigo de Mello, preso pela PF em Manaus.
- Ramagem foi condenado pelo STF a 16 anos e um mês de prisão por participação na trama golpista.
- Ele deixou o Brasil usando um passaporte diplomático cancelado que não foi reconhecido nos sistemas internacionais, já que a Interpol não havia sido notificada.
- A Polícia Federal informou que passaportes cancelados passarão a constar no South Lost Travel Document, para notificação global; a Câmara dos Deputados deve votar a cassação do mandato de Ramagem.
O deputado federal e ex-diretor da ABIN, Alexandre Ramagem, fugiu do Brasil pela fronteira norte em setembro, usando uma rota terrestre até a Guiana e depois um voo comercial para os EUA. A fuga ocorreu sem fiscalização migratória oficial, segundo a Polícia Federal (PF).
A PF detalhou que a ação contou com facilitadores e com um passaporte diplomático de Ramagem, cancelado, que não foi identificado nos sistemas de controle até chegar a Georgetown. O documento, mesmo com o cancelamento, não gerou alerta internacional na ocasião.
A investigação aponta que Ramagem deixou o país após ter sido condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 16 anos e um mês de prisão por participação em trama golpista ligada a desinformação sobre urnas eletrônicas nas eleições de 2022.
Celso Rodrigo de Mello, filho do empresário de garimpo Rodrigo Cataratas, foi preso em Manaus no sábado passado. A prisão, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, é ligada ao esquema de auxílio à fuga do deputado, segundo a PF.
A PF informou que a Interpol ainda não foi notificada formalmente sobre o cancelamento do passaporte de Ramagem, o que dificultou a identificação no exterior. Em resposta, o órgão informou que passaportes cancelados passarão a integrar o SLTD, ferramenta da Interpol para notificação global.
A prisão de Mello reforça a linha de investigação sobre a participação de terceiros na operação de fuga. Segundo a PF, ele será ouvido nos próximos dias para esclarecer o envolvimento no esquema.
A revelação da rota de Ramagem aumenta a pressão sobre a Câmara dos Deputados, que avalia o pedido de cassação do mandato do congressista. Parlamentares aliados mencionam, sem autorização, a possibilidade de Ramagem renunciar ao cargo.
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