- O Reina Sofía expõe pela primeira vez fora da África do Sul o desenho African Guernica, de Dumile Feni, feito em 1967, como parte da nova mostra History Doesn’t Repeat Itself, But It Does Rhyme.
- A obra fica exatamente em frente ao Guernica de Pablo Picasso, no mesmo piso e no espaço onde o quadro espanhol já foi exibido, como conjunto curatorial da mostra.
- A curadoria explica que a série busca confrontar obras de diferentes referências culturais com Picasso, para relembrar preconceitos históricos e abrir diálogos entre contextos.
- Feni, que viveu no exílio e morreu em 1991, produziu o desenho em contexto de apartheid na África do Sul, destacando violência cotidiana e fascínio por artes africanas.
- Além de African Guernica, a exposição reúne outras cinco obras do artista, incluindo You Wouldn’t Know God if He Spat in Your Eye e o retrato Hector Pieterson (1987).
Dumile Feni, artista sul-africano falecido em 1991, vê sua obra African Guernica ganhar destaque no Reina Sofía. A peça de 1967 compõe a nova série History Doesn’t Repeat Itself, But It Does Rhyme, que reúne cenários de diferentes contextos culturais com Guernica de Picasso. A obra permanece instalada na piso superior, oposta à pintura de Picasso.
O desenho, feito em carvão e grafite, retrata violência racial sob o regime do apartheid. Em papel amarelado, um homem de três patas com máscara agarra um bastão; uma vaca amamenta; aves comem migalhas, enquanto silhuetas surgem ao fundo. O efeito é de impacto intenso, mesmo em formato menor.
A exposição, segundo o diretor Manuel Segade, busca dialogar com Guernica, buscando corrigir vieses históricos. Segade aponta que a história da arte também foi moldada por parâmetros racistas que marginalizaram a arte africana. A curadoria destaca o objetivo de ampliar leituras sobre o tema.
African Guernica é emprestada pela University of Fort Hare, nunca antes exibida fora da África do Sul. O empréstimo reforça a ideia de apresentar obras fora do eixo europeu, em diálogo com Picasso. A curadora Tamar Garb ressalta que a relação entre as obras é de diálogo, não de simples influência.
Além da peça central, o conjunto reúne outras seis obras de Feni, incluindo a long a 53 metros You Wouldn’t Know God if He Spat in Your Eye, criada em Londres. Também está em exibição o retrato em carvão de Hector Pieterson, de 1987, que comenta a violência policial durante o apartheid.
Contexto curatorial
Garb explica que Picasso relembra a força de certa expressão africana na formação do cubismo. A curadora enfatiza que a comparação entre as peças não estabelece equivalência temática, pois a violência de Guernica de Picasso é de uma guerra, enquanto a African Guernica denuncia violência estrutural. A mostra enfatiza o papel da arte africana na formação ocidental.
Obras adicionais de Dumile Feni
A exposição inclui trabalhos diversos da carreira de Feni, que viveu em exílio em Nova York por anos. O conjunto ressalta a trajetória de descolonização estética, destacando a ascensão de Feni como figura central na arte africana do século XX. A curadoria reforça o objetivo de ampliar o campo de leitura sobre a obra.
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