- Desde 1892, a École Van der Kelen-Logelain, em Bruxelas, apresenta o trompe l’oeil, com um curso de seis meses e método de ensino rígido.
- As atividades acontecem das 9h às 18h de segunda a sexta, com sábados meio período, em silêncio e sem uso de celulares; o estúdio é aquecido por uma lareira antiga.
- O curso oferece técnicas como relevo falso, pintura de madeira e mármore, além de reproduções em óleo de veios de madeira e mármore, além de um céu trompe l’oeil.
- A instituição enfrenta queda de matrículas, mas ganhou fôlego com Lucy McKenzie, cuja obra trouxe notoriedade ao método e atrai estudantes de todo o mundo.
- Em 2024, Sylvie Van der Kelen assumiu a gestão da escola, substituindo a mãe Denise, mantendo o formato tradicional e uma taxa de inscrição de € 13.750.
A escola de artes Van der Kelen-Logelain, em Bruxelas, mantém desde 1892 um ensino intensivo de trompe l’oeil, técnica que ilude o olhar com relevos e texturas em superfícies planas. O curso ocorre no verão, sob o telhado de vidro de uma casa histórica, e exige disciplina rígida dos alunos.
Todos os anos, centenas de estudantes de diversas nacionalidades entram no espaço de 9h às 18h, cinco dias por semana, com meio dia de sábado. O ambiente é silencioso, sem celulares, com o fogo da antiga lareira como único aquecimento.
O núcleo do curso segue um método tradicional: demonstração diária, observação atenta e a reprodução de painéis em papel que viram várias etapas de trabalho. Cada peça requer dias de secagem entre operações, gerando uma agenda de trabalho intensa.
A família Van der Kelen comanda a escola há décadas, agora sob a liderança de Sylvie, que substituiu a mãe Denise, conhecida como a “Coco Chanel do falso mármore”. O ritmo e o currículo permaneceram estáveis desde a fundação.
A técnica ensinada inclui pintura em óleo, gravação de letras, folha de ouro e acabamento textural, com foco especial em ilusão óptica. O curso já atraiu estudantes do mundo todo, apesar do ambiente frio e dos desafios diários.
A escola vive momentos de crise há anos, com queda no número de alunos e concorrência fechando as portas. Hoje, o interesse por trompe l’oeil ressurge lentamente, impulsionado pela circulação de obras e pela visibilidade de artistas que a’utilizam.
Entre os motivos dos alunos estão busca por prática manual em contraste com trabalho digital, interesse em arte decorativa e oportunidades de atuação em cenografia, interiores de luxo e desfiles de moda que valorizam ilusões visuais.
A brasileira Lucy McKenzie é citada como grande impulsionadora do renascimento: ao incorporar técnicas da escola em obras grandes, ela ajudou a manter o interesse e a atrair novos estudantes. Seu histórico também elevou a reputação institucional.
O preço do curso é elevado: cerca de €13.750, incluindo ferramentas e materiais. Mesmo assim, a escola é vista por muitos como um patrimônio cultural, com potencial de proteção UNESCO, conforme relatos da direção.
Segundo a direção, as técnicas ensinadas na casa influenciam a prática de artes visuais por décadas, mantendo viva uma tradição que, mesmo diante de dificuldades, continua a formar artesãos capazes de transformar superfícies comuns em ilusões convincentes.
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