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Exposição revela como os EUA moldaram Joan Miró — e ele os moldou

Miró e os Estados Unidos: exposição na Phillips Collection destaca o diálogo entre o mestre catalão e seus contemporâneos norte-americanos

“A world of real unreality”: Joan Miró’s Femme et oiseaux au lever du soleil (1946)
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  • Exposição Miró and the United States acontece no Phillips Collection, em Washington, DC, de 21 de março a 5 de julho.
  • A mostra reúne pinturas, esculturas, obras em papel e filmes de Miró, ao lado de contemporâneos americanos como Pollock, Krasner, Frankenthaler, Calder e Newman.
  • Originada após a retrospectiva no Fundació Joan Miró, em Barcelona, para marcar o 50º aniversário da instituição, é o primeiro estudo aprofundado sobre a relação de Miró com artistas dos EUA.
  • A curadoria destaca o intercâmbio entre as obras e a energia criativa do período pós‑guerra, com visão de Elsa Smithgall, chefe-curadora do Phillips Collection.
  • Entre as obras, estão as séries Constellations (em versão gouache) e a pintura de Calder retratada na mostra, evidenciando a influência mútua entre Miró e os artistas americanos.

Miró and the United States chega à Phillips Collection, em Washington, DC, apresentando a relação entre o trabalho de Joan Miró e a cena artística norte-americana. A mostra reúne pinturas, esculturas, obras em papel e filmes do mestre catalão, expostos em diálogo com contemporâneos dos EUA. O objetivo é mapear o impacto das viagens de Miró aos Estados Unidos e as interlocuções com artistas como Pollock, Krasner, Frankenthaler, Calder e Newman.

A exposição, que estreou anteriormente na Fundació Joan Miró, em Barcelona, marca a primeira análise aprofundada sobre o envolvimento de Miró com artistas norte-americanos. Curada pela Phillips Collection, a mostra enfatiza a busca do artista por rupturas formais e pela “realidad real” em uma linguagem de traços finos, cores e composições complexas que atravessam continentes.

Contexto histórico e curadoria

A curadoria destaca a vitalidade do período pós-guerra, quando Miró passou a ver a América como fonte de estímulos diretos. A curadora-chefe Elsa Smithgall ressalta o dinamismo do momento e a percepção de Miró de que a experiência estadunidense influenciaria sua prática. A exposição constrói uma linha de diálogo entre Miró e artistas como Krasner, que descreveu fascínio extremo pelo trabalho do catalão, e Newman, que enxergou em Miró uma influência transformadora.

Miró viu nas cidades americanas uma energia que poderia ser traduzida para sua pintura e escultura. Em 1952, a visita de Miró a uma mostra de Pollock ajudou a definir caminhos que ele desejava seguir, uma influência que Pollock também reconhecia, segundo a curadoria. A mostra registra ainda trocas entre Miró e Frankenthaler, com obras como Canyon (1965) entre os destaques, além de uma obra de Calder, que representa uma amizade de longa data entre eles.

O que há em cartaz

A retrocompatibilidade entre Miró e seus pares dos EUA é evidenciada por uma seleção de obras em várias mídias. Entre os pontos fortes, destacam-se peças que refletem a ideia de “um mundo de real não real” na concepção de Miró, bem como a exploração de linhas, planos de cor e formas livres que marcaram o intercâmbio artístico da época. A mostra oferece leitura sobre como Miró influenciou e foi influenciado por uma geração que buscava romper fronteiras estéticas.

Miró and the United States fica em cartaz na Phillips Collection, em Washington, de 21 de março a 5 de julho. A programação reforça o papel da instituição como espaço de diálogo entre artistas históricos e suas influências internacionais, apresentando uma visão clara das trajetórias compartilhadas que moldaram a arte do período.

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