- A gravura de Van Gogh, At Eternity’s Gate, data de novembro de mil oitocentos oitenta e dois e mostra um “homem órfão” do asilo de The Hague; o título foi escrito pelo artista na própria peça e existem apenas sete exemplares da litografia.
- O modelo jazia o idoso Adrianus Zuyderland, de 72 anos, retratado por Van Gogh; não há indícios de que estivesse próximo da morte na época.
- Van Gogh deu a litografia a Anton van Rappard; depois passou por coleções privadas e foi comprada, no início dos anos setenta, por Nelson Rockefeller e sua esposa Mary; Rockefeller era vice-presidente dos Estados Unidos.
- Em 1975, a obra foi vendida por sessenta e cinco mil dólares ao arcebispo real iraniano Farah Pahlavi, que apoiava o Tehran Museum of Contemporary Art, inaugurado em mil novecentos setenta e sete.
- Após a Revolução iraniana de mil novecentos setenta e nove, grande parte da coleção ficou guardada e houve tensão política com obras ocidentais; em fevereiro de dois mil vinte e seis houve ataques na região próximo ao museu, com danos em prédios históricos na cidade de Isfahan e no Golestan Palace em Teerã.
A obra de Vincent van Gogh que permanece escondida nos depósitos do Tehran Museum of Contemporary Art ganha uma nova leitura neste momento de atenção internacional aos acontecimentos no Oriente Médio. A litografia, intitulada At Eternity’s Gate, foi assinada pelo artista no próprio suporte.
Datada de novembro de 1882, durante a estadia de Van Gogh em Haia, a peça mostra o que ele chamou de um “homem órfão”, morador de um asilo local. Apenas sete exemplos sobreviveram, com o título inscrito diretamente na obra à tinta.
O modelo do retrato é identificado como Adrianus Zuyderland, um homem de 72 anos na época. Zuyderland viveu até 87, segundo registros, e posou para várias obras do artista.
O conjunto histórico revela que Van Gogh concedeu a litografia ao colega holandês Anton van Rappard. Em seguida, a peça passou por coleções privadas e foi adquirida, nos anos 1970, pelo empresário Nelson Rockefeller, então vice-presidente dos EUA, e sua esposa Mary.
Rockefeller repassou a obra ao negociante de arte Eugene Thaw, que a vendeu em 1975 por US$ 65 mil à Farah Pahlavi, esposa do Shah do Irã. Ela apoiava a construção do Tehran Museum of Contemporary Art, aberto em 1977.
Pouco mais de um ano depois, em 1979, o Shah foi deposto e o regime islâmico passou a gerir o país. A maior parte da coleção do museu, incluindo a própria litografia, ficou em grande parte sem exibição, com o novo governo avaliando parte das obras como indecentes.
Aos poucos, o acervo do museu foi mantido em estoque, com poucas exibições públicas. Em 2024, especialistas destacaram o papel de Van Gogh numa leitura histórica de vida e sofrimento que transcende o tempo, mesmo diante de tensões políticas.
Entre as informações de especialistas, a peça é vista como um autorretrato indireto de Van Gogh, pela postura do modelo e pela dor sugerida pelo silêncio das mãos. Em 1890, o artista criou uma versão em pintura inspirada no mesmo tema, concluída meses antes de sua morte.
A atual situação das obras no Irã ocorre em meio a ataques recentes na região. Em 28-29 de fevereiro, explosões ocorreram na mesma avenida que abriga o museu, e danos foram registrados em outros pontos da capital Isfahan, bem como no Golestan Palace, em Teerã.
Especialista em Van Gogh, Martin Bailey acompanha cronologias e lançamentos sobre o pintor e tem atuado como correspondente para publicações importantes. Suas obras destacam pistas sobre o contexto histórico das peças.
O Teherã Museum of Contemporary Art permanece com a sala de depósito como área de preservação, após os incidentes. A preservação de obras de grande importância histórica continua sendo uma prioridade institucional, ainda que o cenário possa evoluir com a instabilidade regional.
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