- Um anjo com rosto parecido com Giorgia Meloni foi apagado de um afresco na Basílica de São Lourenço em Lucina, Roma, após reclamações do Vaticano.
- O artista Bruno Valentinetti disse que apenas restaurou o afresco, pintado em 2000, e negou que a imagem fosse uma retratação da primeira-ministra.
- A semelhança foi detectada pela imprensa italiana e, após apuração, o rosto foi removido nesta semana pela ordem da Diocese de Roma e do Ministério da Cultura.
- A Curia do Vaticano informou que as feições do anjo não obedeciam à iconografia original nem ao contexto sagrado.
- A versão de Meloni, publicada no Instagram, afirmou que não é parecida com um anjo, e o Five Star Movement ressaltou que a arte não deve servir de propaganda; autorizações para futuras restaurações deverão ser solicitadas.
O afresco de uma igreja em Roma teve a face de um anjo apagada após críticas de autoridades do Vaticano. O artista Bruno Valentinetti havia restaurado em 2000 a imagem, que ficava na capela da Basílica de Santo Inácio em Lucina, no centro da capital italiana. A ação ocorreu após um inquérito promovido pelo Ministério da Cultura da Itália e pela Diocese de Roma.
Valentinetti disse à imprensa que apenas realizou a restauração do fresco, negando que o anjo se parecesse com a primeira-ministra Giorgia Meloni. O padre da paróquia, Monsenhor Daniele Michelett, afirmou que o quadro necessitava de conservação devido a danos causados pela água.
A semelhança com Meloni foi descoberta pelo jornal La Repubblica no início deste mês, que anteriormente descreveu o anjo segurando um mapa da Itália como um “querubim genérico”. Na segunda-feira, Valentinetti reconheceu à publicação que havia, sim, traços que lembravam Meloni, mas disse que mantinha a linha do que já existia antes.
A remoção da face ocorreu no início desta semana, após o Ministério da Cultura e a Diocese de Roma instaurarem um inquérito sobre a representação. O movimento Five Star, oposição a Meloni, afirmou que a arte não pode servir de propaganda política.
Valentinetti afirmou ter “coberto o rosto porque o Vaticano assim mandou”. A Curia Romana explicou que a iconografia original não permitia a alteração na imagem. O Vicariato de Roma anunciou a decisão de apagar a face, citando conformidade com o contexto sagrado.
O Vaticano foi procurado para comentar o caso. O Ministério da Cultura italiano informou que futuras restaurações na igreja exigem autorização do Fundo de Edifícios Religiosos do Ministério do Interior, além de aprovação da Vicariate e da Superintendência Especial de Roma, com um esboço da imagem.
Meloni reagiu em rede social, dizendo que não é como um anjo, acompanhando a postagem de um emoji de riso. O Ministério da Cultura reiterou a necessidade de procedimentos formais para intervenções em bens religiosos localizados em imóveis do Estado.
O episódio levanta questões sobre critérios de restauro e interferência de autoridades na arte sacra de patrimônio público. Autoridades religiosas enfatizam a proteção do contexto litúrgico e da iconografia original, sem desvios que possam gerar polêmicas políticas.
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