Em Alta NotíciasAcontecimentos internacionaisFutebolConflitosPolítica

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

M.F. Husain no Catar: conectando Ásia e o mundo árabe

Museu Lawh Wa Qalam, em Doha, mostra como as obras finais de M. F. Husain conectaram Índia e mundo árabe, revelando nova identidade transnacional

Imagem do autor
Por Revisado por: Luiz Cesar Pimentel
M.F. Husain in Mumbai. The artist was born in India in 1913 to a Shia Muslim family of Yemeni heritage and moved to Qatar in 2009
0:00
Carregando...
0:00
  • Maqbool Fida Husain mudou-se para o Catar em 2009 e recebeu a cidadania catarense em 2010, o que gerou questionamentos sobre a ideia de ser o “artista nacional” da Índia.
  • O Museu Lawh Wa Qalam, em Doha, busca responder o que significou esse último ciclo de vida do artista, destacando o projeto Arab Civilisation.
  • Em 2008, aos 95 anos, ele pintou a monumental Battle of Badr, que mescla tradição indiana com referências islâmicas e do Oriente Médio.
  • O período final marca uma ligação mais forte com o mundo árabe, com obras que reúnem temas da cultura islâmica e da história regional, sem abandonar a linguagem indianista.
  • Husain, que já havia atuado como senador pelo Congresso Nacional Indiano, enfrentou controvérsias na Índia após acusações de blasfêmia em 1996, o que ajudou a consolidar seu afastamento do país.

O Maqbool Fida Husain Museum Lagos, em Doha, revela os últimos anos do artista indiano M F Husain, mostrando como sua obra final ganhou contornos transnacionais. O foco é entender a passagem dele de India a Qatar, em 2009, e a naturalização da cidadania qatarense em 2010, dois anos antes de sua morte em Londres, em 2011. A exposição Lawh Wa Qalam: M F Husain Museum insere esse período no contexto da história do artista e de sua obra.

O museu em Doha apresenta o projeto Arab Civilisation, iniciado no final de sua vida, quando Husain passou a dedicar-se a 99 obras sobre história islâmica e do Oriente Médio. A iniciativa foi encomendada pela família real do Qatar, com a participação de patronos locais, e marcou uma virada temática do artista, que já vinha explorando raízes culturais diversas.

Com a mudança para o Qatar, Husain ampliou o foco de sua produção para além da Índia. A curadora Noof Mohammed destaca que o ambiente de apoio no Qatar estimulou o artista a explorar novas identidades e referências culturais, sem abandonar a linha de sua linguagem visual, que já era marcada por uma fusão de influências.

Novo impulso e mudanças na linguagem

A partir de 2009, Husain intensificou a produção de grandes formatos e de instalações imersivas. O resultado foi um estilo que combinava cores planas com composições espaciais amplas. A obra Arab Civilisation, ainda que apenas parcialmente concluída, evidencia a busca por um vocabulário que dialoga com a história islâmica e com o mundo árabe.

O período final mostrou uma leitura mais ampla de temas universais, mantendo a assinatura estética do artista. Observadores ressaltam que, mesmo em obras fortemente enraizadas na tradição islâmica, Husain transmitia uma dimensão global, capaz de ressoar com públicos diversos.

Do Brasil ao Golfo: trânsito de ideias

Entre as obras destacadas, o público encontra o monumental The Battle of Badr, pintado aos 95 anos, em 2008, que sinaliza a continuidade do interesse de Husain pela cultura indiana. Outros trabalhos na Doha collection trazem o diálogo entre tradição religiosa, história e modernidade, refletindo a nova fase de vida no Golfo.

A curadora e interlocutores enfatizam que a mudança de país não apagou a visão secular do artista voltada à pluralidade de identidades da Índia. A relação dele com a política e com líderes nacionais também aparece no acervo, sem que haja denotações de postura clara sobre temas contemporâneos.

Legado e legado adicionado

O museu destaca a participação de Husain na vida pública indiana, onde atuou como senador pelo Congresso Nacional, ligado a um projeto de nação secular. A exposição aponta que, apesar da controvérsia de 1996 envolvendo uma representação de deusa hindu, Husain manteve a convicção de uma Índia plural, mesmo diante de críticas intensas.

Além de explorar a produção tardia, o espaço reafirma a visão de que Husain não buscava apenas uma identidade nacional, mas sim uma narrativa que atravessa fronteiras culturais. A mostra enfatiza que o encerramento de sua obra não foi definitivo, permanecendo aberta a interpretações sobre seu impacto global.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais