- A ANP notificou na última terça-feira (3) a família do agricultor Sidrônio Moreira, em Tabuleiro do Norte (CE), sobre suspeita de hidrocarbonetos em dois poços perfurados na propriedade.
- Os poços foram cavados com empréstimo de R$ quinze mil para buscar água na zona rural; a primeira perfuração chegou a cerca de quarenta metros sem atingir o lençol freático, surgindo material escuro com odor característico.
- Em uma segunda tentativa, a escavação alcançou aproximadamente vinte e três metros, a poucos metros do primeiro ponto, com sinais semelhantes, levando à suspensão das atividades.
- Amostras foram encaminhadas ao campus do Instituto Federal do Ceará em Tabuleiro do Norte; análises iniciais indicam mistura de hidrocarbonetos com características parecidas com petróleo da Bacia Potiguar, mas não comprovam jazida ou viabilidade econômica.
- A ANP orientou a suspensão de qualquer atividade na área, informou que a exploração depende de autorização e comunicou o caso à Secretaria Estadual de Meio Ambiente; o órgão continuará com vistoria técnica para confirmar as características do fluido.
A ANP notificou a família do agricultor Sidrônio Moreira, em Tabuleiro do Norte (CE), após a suspeita de que dois poços em sua propriedade contenham hidrocarbonetos semelhantes ao petróleo. A notificação foi recebida pela família em 24 de julho de 2025, e uma equipe técnica será deslocada ao local para avaliar a situação. Os poços foram perfurados com empréstimo de 15 mil reais, obtido para garantir água na zona rural.
A propriedade chamada Sítio Santo Estevão fica no Baixo Vale do Jaguaribe, no topo da Chapada do Apodi, no Sertão cearense. A família afirma que a água da adutora da comunidade tem vazão baixa e pressão quase ausente, o que motivou a busca por uma fonte própria para abastecer animais.
A primeira perfuração começou em novembro de 2024, atingindo mais de 40 metros sem alcançar o lençol freático. Em vez de água, apareceu material escuro e com odor característico, o que levou à interrupção do trabalho. A segunda perfuração, a cerca de 50 metros do ponto inicial, chegou a 23 metros e apresentou sinais parecidos, resultando na suspensão definitiva.
Análises e desdobramentos
O material coletado foi levado ao IFCE, em Tabuleiro do Norte, para avaliação inicial, que considerou a profundidade incomum para petróleo em superfície. Em seguida, o material foi encaminhado ao Núcleo de Pesquisa em Economia de Baixo Carbono da UF Rural do Semi-Árido, em Mossoró (RN), para análises complementares. Os testes preliminares indicaram uma mistura de hidrocarbonetos com características semelhantes ao petróleo terrestre da Bacia Potiguar, segundo o engenheiro Adriano Lima. O resultado não comprova jazida nem viabilidade econômica.
O IFCE orientou a família sobre procedimentos legais e informou que os recursos minerais pertencem à União, mesmo quando encontrados em propriedade privada. O caso foi informado à ANP, que orientou a suspensão de qualquer atividade na área e ressaltou que a exploração só pode ocorrer com autorização formal. A ANP também comunicou a Secretaria Estadual de Meio Ambiente do Ceará e deverá realizar vistoria técnica para confirmar as condições do poço e as características do fluido, sem prazo definido para a inspeção.
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