- Em janeiro, o Brasil importou, em média, cerca de 151 mil barris por dia de diesel russo, o maior volume desde junho, comparado a cerca de 58 mil em dezembro.
- As importações dos EUA caíram cerca de 20 mil barris por dia mês a mês, abrindo espaço para a Rússia.
- A mudança ocorre mesmo com o Brasil integrando uma lista restrita de destinos que não são impedidos pelas sanções.
- A recuperação da produção nas refinarias russas, aliada a descontos elevados, torna o diesel russo mais atraente para o Brasil.
- Desde 2023 o Brasil passou a ampliar as compras de diesel russo, com a participação russa oscilando conforme o impacto de sanções internacionais e das condições de refino.
O Brasil voltou a importar volumes expressivos de diesel com desconto da Rússia, em meio a uma recuperação da produção nas refinarias russas após ataques na região. O movimento se dá em um cenário de restrições a fornecedores russos por sanções internacionais.
Os embarques russos para o Brasil atingiram, em janeiro, média de cerca de 151 mil barris por dia, o maior desde junho do ano passado e quase o triplo do volume de dezembro, quando ficou em aproximadamente 58 mil barris/dia. Enquanto isso, as importações vindas dos EUA recuaram.
Essa mudança ocorre em meio a uma combinação de fatores: menor custo do barril russo frente a outros fornecedores, e um repique da produção na Rússia. O Brasil pertence a uma lista restrita de destinos que continuam recebendo derivados russos apesar das sanções.
Contexto do movimento de importação
Fontes de mercado apontam que o fornecimento russo segue mais barato, o que justifica a continuidade de compras, ainda que envolva riscos de sanções. A alternativa de origem norte-americana perdeu espaço, com recuos mensais de cerca de 20 mil barris/dia.
A participação da Rússia no diesel importado pelo Brasil caiu de 70% em junho para 19% em novembro do ano anterior, enquanto a fatia dos EUA subiu de 20% para acima de 50% no mesmo período. Hoje, o cenário pode ter sido revertido pela prática de buscar descontos.
Especialistas ressaltam que, com a UE impondo novas restrições a refinados derivados de petróleo russo, as refinarias russas enfrentam dificuldades de operação. O desconto dos barris tornou-se suficientemente atrativo para manter o fluxo sul-americano em pauta.
A depender do fortalecimento ou retração de fluxos, o Brasil pode manter esse equilíbrio entre custo e segurança de abastecimento, ainda que a tendência econômica sinalize maior abertura a negócios com a Rússia, sob condições sanitizadas de sanção.
Entre na conversa da comunidade