- Fiocruz obteve patente do método de tratamento que usa o composto DAQ para malária, concedida pelo United States Patent and Trademark Office (USPTO), com inventores do Instituto René Rachou, unidade da Fiocruz em Minas Gerais.
- O DAQ mostrou atuação contra cepas resistentes do Plasmodium falciparum, com mecanismo capaz de superar resistências do parasita, em estágio inicial da infecção.
- A molécula já era descrita desde a década de sessenta, mas a equipe da Fiocruz retomou os estudos e identificou uma característica estrutural decisiva: a presença de uma ligação tripla na cadeia química.
- Os resultados indicam ação rápida contra cepas sensíveis e resistentes do Plasmodium falciparum, além de indícios de eficácia contra Plasmodium vivax, e indicam baixo custo potencial da molécula.
- A patente tem validade até cinco de setembro de 2041; estudos contam com parcerias com universidades e institutos, e seguem com pesquisas de toxicidade, doses e formulação.
A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) teve a patente de um método de tratamento para malária aprovado pelo USPTO. O composto, chamado DAQ, mostrou ação contra formas graves e resistentes do Plasmodium falciparum, parasite responsável pela doença. A patente envolve inventores do Instituto René Rachou, em Minas Gerais.
O diferencial do DAQ está em superar mecanismos de resistência do microrganismo. A equipe liderada pela pesquisadora Antoniana Krettli retomou estudos iniciados na década de 1960, combinando química moderna e biologia molecular para identificar uma ligação tripla decisiva na molécula.
O funcionamento do DAQ se aproxima da cloroquina: ele interfere em um processo essencial para a sobrevivência do parasita durante a digestão da hemoglobina. Ao bloquear a defesa do parasito, o DAQ contribui para a morte do agente infeccioso.
Os testes indicaram ação rápida nas fases iniciais da infecção e eficácia tanto contra cepas sensíveis quanto resistentes do Plasmodium falciparum. Resultados promissores também foram observados contra o Plasmodium vivax, comum no Brasil.
Além da Fiocruz, a pesquisa contou com colaboração da UCSF, UFAL e PUC-Rio, com novos estudos em curso em parceria com a Unifesp. A patente, concedida em março, tem validade até 2041.
Avanços e próximos passos
Os pesquisadores destacam o potencial de baixo custo da molécula, o que pode favorecer países de baixa e média renda onde a malária é endêmica. No entanto, o desenvolvimento depende de toxicidade, dosagens seguras e formulação farmacêutica adequadas.
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