- Estudo publicado em Nature Metabolism testou em ratos obesos uma molécula ligada ao metabolismo de cobras, conhecida como pTOS, detectada em maior concentração no sangue após a alimentação.
- Em pítons jovens, após ingerirem alimento equivalente a 25% do peso, houve aumento expressivo de metabólitos, com pTOS destacando-se ao aumentar mais de mil vezes.
- Quando a molécula foi administrada a ratos obesos, houve redução de peso de cerca de 9% em 28 dias, com menos apetite e sem alterações relevantes nos órgãos ou efeitos colaterais.
- Diferentemente dos agonistas de GLP-1 usados hoje (como Wegovy e Ozempic), o pTOS atuaria diretamente no cérebro, no hipotálamo, para reduzir o apetite.
- Pesquisadores também testaram a presença da molécula em humanos, observando aumentos de pTOS após refeição em cinco de seis voluntários, sugerindo potencial para novas abordagens terapêuticas contra obesidade, sujeitas a mais estudos de segurança e eficácia.
A pesquisa publicada na revista Nature Metabolism aponta que uma molécula associada ao metabolismo de pitas birmanesas pode inspirar novos tratamentos contra a obesidade. Em ratos obesos, a molécula chamada pTOS reduz o apetite e promove perda de peso, sem alterações relevantes no tamanho de órgãos ou no gasto energético.
O estudo analisou o sangue de pythons jovens antes e após uma refeição equivalente a 25% do peso corporal. Observou-se aumento, após a ingestão, de metabólitos ligados ao metabolismo, com pTOS registrando elevação superior a mil vezes. Em humanos, a molécula também apareceu naturalmente no sangue.
Em seguida, ratos obesos foram tratados com pTOS. O resultado: queda de cerca de 9% do peso corporal em 28 dias, com redução da fome e sem efeitos colaterais comuns a medicamentos existentes. O mecanismo envolve ação direta no cérebro, e não apenas no esvaziamento gástrico.
Mecanismo e resultados
Bactérias intestinais das pítons convertem tirosina em pTOS, que atinge o hipotálamo e ativa neurônios reguladores da alimentação. Pesquisadores destacam que o efeito é semelhante ao observado com medicamentos como Wegovy e Ozempic, porém com atuação diferente.
Estudos em humanos envolvendo seis voluntários mostraram que o pTOS aumenta no sangue após a refeição: em cinco deles, de duas a cinco vezes; em alguns casos, mais de 25 vezes. Também houve níveis de pTOS semelhantes aos encontrados em pítons.
Perspectivas e próximos passos
Especialistas ressaltam que a segurança e eficácia em humanos ainda precisam ser validadas em ensaios clínicos mais amplos. A equipe afirma que o corpo humano produz o composto naturalmente, o que pode atenuar reações adversas, mas não elimina a necessidade de avaliação rigorosa.
A expectativa é verificar se a substância pode ser segura para uso humano e, futuramente, servir de base para novos fármacos contra a obesidade. Pesquisas adicionais devem confirmar dosagens, efeitos a longo prazo e possíveis interações com outros tratamentos.
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