- A Ukrainian Cultural Heritage Fund começou a tomar forma, visando mobilizar recursos internacionais para proteção, restauração e desenvolvimento do patrimônio cultural afetado pela guerra.
- Doadores como Dinamarca, Países Baixos e Reino Unido prometeram contribuir, com montantes de DKK 10 milhões, € 1 milhão e £ 200 mil, respectivamente. O fundo já mapeou treze projetos de restauração iniciais.
- Entre eles está a janela vitral gótica da igreja de Santa Nicolau, em Kyiv, danificada por ataque de mísseis em 2023; a UNESCO participa com avaliações rápidas de danos e necessidades.
- A UNESCO estima necessidade de cerca de US$ 4,1 bilhões para recuperação do patrimônio cultural da Ucrânia; até agora o fundo mobilizou € 3,5 milhões.
- O orçamento de cultura para 2026 no país totaliza 16,145 bilhões de hryvnias, aumento de quase 50% em relação a 2025, ressaltando que a cultura é considerada parte da segurança nacional.
Durante quatro anos de conflito, a herança cultural da Ucrânia sofreu ataques constantes, com danos a centenas de sítios e infraestrutura cultural. Enquanto o foco internacional permanece em ajuda humanitária e apoio militar, o Ministério da Cultura ucraniano participa de iniciativas para proteção, restauração e desenvolvimento cultural no meio da guerra.
Um novo fundo, o Ukraine Cultural Heritage Fund, começou a ganhar forma no ano passado. O projeto reunirá recursos internacionais para proteção de patrimônio, com participação de organizações como Unesco, Aliph, World Monuments Fund, ICCROM e Obmin, criado em Varsóvia em 2022 para apoiar museus ucranianos.
A iniciativa foi anunciada na Quarta Conferência de Recuperação da Ucrânia, em Roma, em julho de 2025, como uma plataforma multidonor destinada a mobilizar recursos para a preservação e restauração do patrimônio cultural afetado pela guerra.
Financiadores e ações iniciais
Países como Dinamarca, Países Baixos e Reino Unido comprometeram aportes ao fundo, respectivamente, 10 milhões de coroas dinamarquesas, 1 milhão de euros e 200 mil libras. Serão alvo 13 projetos de restauração iniciais, incluindo a janela de vitral gótico da Igreja de São Nicolau, em Kyiv, danificada por ataque em 2023.
A Unesco trabalha em uma avaliação rápida de danos para orientar a recuperação cultural da Ucrânia. Em dezembro de 2024, o relatório estimou 4,1 bilhões de dólares para reconstrução de cidades históricas, edifícios e sítios. O Ukraine Cultural Heritage Fund já mobilizou 3,5 milhões de euros, segundo o Ministério da Cultura.
Desafios e atuação de organizações
O Ministério destaca que a guerra aumenta a cautela de doadores e dificulta avaliação de riscos, priorizando, neste momento, segurança e apoio às forças armadas. Para proteger o patrimônio, é essencial interromper a agressão russa e impedir o uso da guerra como meio de dano cultural.
A Aliph, ONG sediada na Suíça, coordena a criação do fundo em Bruxelas e já investiu cerca de 8 milhões de dólares desde 2022, financiando transporte de arte, abrigo seguro e digitalização. A organização também atua na estabilização de sítios danificados e na formação de profissionais.
Casos específicos e impacto regional
A região de Odesa registra cerca de 8% dos danos culturais do país, segundo a Unesco, devido à sua posição estratégica no Mar Negro. O museu de arte de Odesa ficou sob risco constante após ataques e fica próximo ao porto, alvo recorrente de mísseis.
A Unesco financia a estabilização e a restauração da Catedral da Transfiguração, atingida em 2023. Itália investe em reconstrução de outros locais afetados e apoia a criação do Odesa Unesco Heritage Management Centre, com aporte de 32,5 milhões de euros para museus e orquestras locais.
Perspectivas orçamentárias e conclusão provisória
A Unesco aponta preocupações sobre investir em reconstrução quando hostilidades continuam, mas ressalta que conflitos prolongados elevam custos de recuperação. O governo ucraniano reservou 16,145 bilhões de hryvnias (cerca de 380 milhões de dólares) para cultura no orçamento de 2026, aumento de quase 50% em relação a 2025.
O Ministério da Cultura afirma que a guerra tornou claro que cultura é parte da segurança nacional. O patrimônio cultural é visto como parte da identidade, memória, valores e resiliência da sociedade democrática, mesmo diante do conflito.
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