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Lula enfrenta desafio de reconectar PT ao novo perfil da classe trabalhadora

Lula enfrenta desafio de reconectar o PT à nova classe de trabalhadores por aplicativos, como entregadores e motoristas, diante do risco de derrota eleitoral

Votos de entregadores e motoristas de aplicativos se tornaram um campo de batalha central para tentativa de reeleição do presidente (Foto: Mario Tama/Getty Images)
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  • Lula aponta que o PT perdeu conexão com a base de trabalhadores diante da expansão do trabalho por aplicativos, aumentando o desafio eleitoral.
  • Dados do IBGE mostram que a nova classe de trabalhadores por apps é majoritariamente masculina (84%) e 47% tem entre 25 e 39 anos, somando 2,1 milhões de pessoas em 2025.
  • O governo propõe regulamentar o setor com emenda para reduzir a jornada, manter a flexibilidade, exigir transparência dos algoritmos e garantir cobertura previdenciária.
  • O ministro Guilherme Boulos lidera a atuação para reconquistar apoio dos trabalhadores formais e informais, buscando diálogo e direitos institucionais sem perder a autonomia.
  • O Legislativo segue debatendo o projeto, com críticas do setor sobre perda de flexibilidade, enquanto a eleição se aproxima.

Luiz Inácio Lula da Silva sinalizou, em ano eleitoral, a necessidade de reconectar o PT com o novo perfil da classe trabalhadora, marcada pela expansão do trabalho por aplicativos. Em discurso na Bahia, durante as celebrações de aniversário do partido, ele lembrou a antiga relação com bairros industriais da região metropolitana de São Paulo e pediu reflexão sobre a trajetória do PT.

O objetivo é retomar o diálogo direto com os trabalhadores que hoje se conectam por meio de plataformas digitais. Pesquisas destacam o risco de derrota para a direita em outubro, o que intensifica a demanda por uma estratégia que envolva ruas, territórios e periferias. A ideia central é ampliar a presença do PT nesses espaços.

A transformação do mercado de trabalho tem sido citada como fator de mudança no vínculo entre o PT e a base trabalhadora. A globalização, a desindustrialização de algumas regiões e a ascensão de empregos informais aparecem como contextos que desafiam a tradição sindical que sustentou o partido nas décadas passadas.

A expansão do trabalho por aplicativos no Brasil, que cresceu 170% entre 2015 e 2025 e já soma cerca de 2,1 milhões de trabalhadores, é apontada como mudança decisiva. O tema passa a figurar como campo-chave na estratégia de reeleição de Lula.

O que está em jogo

Lula ressaltou que é preciso “ir para a rua conversar com o povo” para entender as novas demandas. O governo assinala propostas para os trabalhadores formais, como a redução da jornada em setores com folgas restritas, e para quem atua via apps, com debates sobre transparência de algoritmos, piso mínimo por corrida e cobertura previdenciária.

A gestão também busca avançar em uma legislação que proteja entregadores e motoristas, após uma tentativa anterior, em 2024, ter enfrentado resistência de plataformas e desinformação. O ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência, lidera o esforço com participação de movimentos sociais.

Críticos do setor de mobilidade e tecnologia argumentam que o projeto pode reduzir a flexibilidade típica dessa atividade, aumentar custos e tributos, e tornar o setor menos dinâmico. Eles destacam que a regulamentação não pode sacrificar a natureza associada à economia de plataforma.

Por outro lado, o governo defende que as mudanças institucionalizam direitos já demandados por trabalhadores informais, buscando consenso com o objetivo de aprovação no primeiro semestre. A discussão envolve impactos eleitorais, mas também o equilíbrio entre inovação, emprego e proteção social.

Para movimentos e trabalhadores organizados, o impulso político é claro: alinhar a mensagem do PT com as características da nova classe trabalhadora, preservando a tradição de defesa de direitos, sem abandonar a narrativa de inclusão social.

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