- O prefeito do Rio, Eduardo Paes, deve deixar o cargo amanhã, conforme a lei eleitoral, para concorrer ao governo do estado em outubro.
- Paes lidera as pesquisas, com 33 pontos percentuais de vantagem sobre o segundo colocado, Douglas Ruas, segundo o Real Time Big Data.
- O principal alvo de Paes é o governador Cláudio Castro, que responde a processo no TSE e pode ser declarado inelegível nos próximos dias.
- Flávio Bolsonaro será o principal cabo eleitoral de Ruas; Paes passa a acenar ao público bolsonarista, mantendo apoio à reeleição de Lula em caso de disputa com Bolsonaro.
- A situação é “incógnita” até o início oficial da campanha, e analistas destacam que o cenário pode mudar até outubro, lembrando episódios de 2018.
O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), pode deixar o cargo amanhã para cumprir a regra eleitoral e concorrer ao governo estadual em outubro. Segundo o instituto Real Time Big Data, Paes aparece com 33 pontos percentuais de vantagem sobre o segundo colocado, Douglas Ruas (PL), no cenário de pesquisa em curso.
O principal alvo descrito não é o adversário direto de Paes, mas o governador Cláudio Castro (PL), que responde a processo no TSE e pode tornar-se inelegível nos próximos dias. A definição de inelegibilidade depende do reexame de votos pelo Tribunal Superior Eleitoral, com desfecho possível ainda neste mês.
A eleição ocorre em outubro, e Paes já vivenciou situação semelhante em 2018, quando liderava as pesquisas, mas foi derrotado pelo então candidato Wilson Witzel (PSC). O cenário atual contempla a disputa com Ruas, eleito deputado estadual, que tem pouca notoriedade entre eleitores fluminenses.
Douglas Ruas não é ex-juiz federal como Witzel, mas disputou sua primeira eleição há quatro anos. Remanescem, porém, fatores que podem alterar o panorama, como o suporte de Flávio Bolsonaro (pré-candidato à Presidência) ao seu projeto, segundo apuração de fontes do meio político.
Analistas apontam que Paes pode ampliar a base ao buscar apoio entre o eleitorado bolsonarista, ainda que apoie a reeleição de Lula em eventual confronto com Flávio Bolsonaro. A avaliação é de que a campanha não começou oficialmente e, por isso, eventuais desdobramentos ainda são incertos.
Para o cientista político Ricardo Ismael, professor da PUC-Rio, a eleição segue como incógnita. Paes compõe o favoritismo, mas Ruas tem potencial de crescimento e conta com o apoio de um cabo eleitoral importante, Flávio Bolsonaro.
Na prática, Paes tem feito acenos ao público bolsonarista, o que pode gerar tensão com eleitores da esquerda. Segundo especialistas, o impacto depende da percepção de ritmo da campanha e do desempenho do principal rival, Castro, caso permaneça elegível.
Entre acusações e respostas, Paes acusou Castro de uso político das forças de segurança após uma operação da Polícia Civil que prendeu um ex-secretário municipal. O governador negou a acusação, afirmando que houve uso político das investigações pela administração estadual.
Mayra Goulart, professora da UFRJ, comenta que é comum o acirramento retórico entre adversários à medida que a eleição se aproxima. O desafio dos candidatos, conforme a pesquisadora, é conquistar o eleitor médio, que ainda não está plenamente conectado aos discursos.
Caso a Justiça Eleitoral declare Castro inelegível, os ataques entre Paes e o governador perdem mais força e o efeito sobre o eleitorado pode mudar o tom da campanha. A análise ressalta que as críticas só teriam efeito se o cenário jurídico não se alterasse.
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