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PF aponta deputada cearense como articuladora de esquema de fraudes no INSS

PF aponta que deputada Maria Gorete Pereira era articuladora política de esquema no INSS; passou a ser monitorada por tornozeleira após a operação

Deputada Gorete Pereira (MDB-CE) suplente em exercício na Câmara dos Deputados em discurso em 2019 — Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados
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  • A PF aponta que a deputada federal Maria Gorete Pereira atuava como articuladora política do esquema de descontos irregulares em aposentadorias e pensões do INSS, e passou a usar tornozeleira eletrônica.
  • As investigações indicam desvios ocorridos entre dois mil e dezenove e dois mil e vinte e quatro, com valores que podem chegar a R$ 6,3 bilhões.
  • Além de Gorete, foram presos preventivamente Natjo de Lima Pinheiro e Cecília Rodrigues Mota; a parlamentar também é apontada como que utilizava influência para manter acordos com o INSS.
  • Propinas eram pagas a servidores do INSS por meio de empresas de fachada ligadas a Natjo, com recursos encaminhados a Cecília e a outras interpostas pessoas, sob o rótulo “COMISSÃO BRASÍLIA BSB”.
  • Documentos investigativos indicam participação de Gorete, incluindo uso de procurações para controlAR entidades de aposentados, pagamento de propina e possível uso de imóveis para facilitar o esquema.

A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira uma operação contra irregularidades em aposentadorias e pensões do INSS. Maria Gorete Pereira, deputada federal suplente pelo MDB do Ceará, está entre os investigados e passou a usar tornozeleira eletrônica. Outros alvos foram presos preventivamente.

As apurações, realizadas em parceria com a Controladoria-Geral da União, apontam um esquema com descontos indevidos de benefícios entre 2019 e 2024. Os desvios podem chegar a 6,3 bilhões de reais, segundo o relatório da PF.

Segundo o documento, Cecília Rodrigues Mota, advogada e ex-presidente de associações de aposentados, e Natjo de Lima Pinheiro, empresário, atuariam como operadores do esquema. A PF aponta encaixes de propina para servidores do INSS.

Maria Gorete seria a articuladora política do esquema, mantendo contato com autoridades administrativas e pressionando por aceleramento de processos. A investigação cita pagamentos através de interpostas pessoas e empresas de fachada.

A PF descreve ainda ligações entre Gorete, Cecília e Natjo, com indícios de repasse de valores a outros principais investigados, incluindo ex-diretores do INSS. A deputada teria controlado entidades associativas vinculadas aos investigados.

Entre as evidências, constam mensagens que associam Gorete a pagamentos de propina e a instituição de entidades de aposentados com participação de familiares. Também há referência a imóveis usados para supostos fatos ilícitos.

Os presos nesta terça foram Natjo de Lima Pinheiro e Cecília Rodrigues Mota. Gorete permanece sob medidas cautelares, com monitoramento eletrônico e restrições impostas pela Justiça.

A operação integra apurações da PF sobre o chamado caso Sem Desconto, já em curso desde fases anteriores. As informações oficiais destacam que as investigações seguem para esclarecer eventual participação de outras pessoas.

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