- A Federação Internacional de Patinagem (ISU) defendeu a integridade da avaliação no gelo após a disputa de dança no gelo, destacando que variações entre juízes são normais e existem mecanismos para reduzir vieses.
- No sistema de julgamento, as maiores e menores notas de cada elemento são descartadas e as restantes são computadas pela média aparada, o que minimiza o peso de julgamentos atípicos.
- O juiz francês teve uma diferença de quase oito pontos a mais para o duo francês em uma das fases, decisão que, se isolada, poderia ter invertido o ouro para os Estados Unidos.
- A votação não tem indicação de revisão pela ISU, e houve crescente debate público sobre subjetividade na pontuação; uma petição online já alcançou cerca de 15 mil assinaturas.
- Os vencedores franceses, Laurence Fournier Beaudry e Guillaume Cizeron, consolidaram o ouro no combinado com o desempenho técnico, enquanto Madison Chock e Evan Bates ficaram com a prata em milano cortina.
O Comitê técnico da Federação Internacional de Patinação (ISU) defendeu a integridade da avaliação técnica da dança no gelo, após uma diferença de pontuação de um único juiz ficar central para o resultado. A ISU afirma que variações entre painéis são esperadas e que mecanismos existem para evitar que vieses influenciem o veredito.
A disputa ocorreu nas Olimpíadas de Milão e Cortina d’Ampezzo, com a dupla francesa Laurence Fournier Beaudry e Guillaume Cizeron conquistando o ouro sobre a dupla americana Madison Chock e Evan Bates em uma das finalizações mais acirradas da competição.
A ISU explicou que o sistema de julgamento aplica uma média aparada, que descarta as maiores e as menores notas de cada elemento e componente técnico, reduzindo o peso de possíveis outliers. Segundo a entidade, várias das notas altas da juíza francesa foram descartadas na soma final.
A controvérsia ganhou força ao se examinar a pontuação da juíza francesa, que ficou significativamente acima da média em ritmo livre. Caso essa diferença tivesse sido excluída, Chock e Bates teriam subido à primeira posição.
As regras atuais permitem poucos caminhos para contestação de resultados sem que a ISU anuncie uma revisão formal. Até o momento, não houve sinal de reavaliação oficial.
A cobrança pública sobre a subjetividade das notas reacendeu o debate sobre a transparência do sistema de pontuação do patinismo artístico. Uma petição online já somava milhares de assinaturas na véspera de sua atualização.
Chock e Bates adotaram uma postura de cordialidade em relação ao painel, destacando o orgulho da apresentação e agradecendo o apoio dos fãs. A dupla registrou uma temporada regular forte, com desempenho próximo ao máximo nesta edição.
A dupla americana terminou com 224,39 pontos, pouco abaixo do total da dupla francesa, que atingiu 225,82. Bates ressaltou que o skate olímpico foi o ápice da carreira, enquanto Chock ponderou que a experiência escolariza o público sobre o esporte.
Mudanças e percepções
A vitória francesa ganhou atenção pela parceria relativamente nova no mais alto nível. Fournier Beaudry trocou de representação para a França e iniciou a parceria com Cizeron no fim do ano anterior, após episódios envolvendo os ex-parceiros.
O caso reacende lembranças de controvérsias antigas do esporte, incluindo debates sobre trocas de votos e reformas do sistema de julgamento que substituiu o modelo anterior. A nova estrutura combina notas técnicas com a avaliação de performance.
Analistas destacam que, apesar de a maioria dos juízes ter ficado com Chock e Bates, a diferença observada com a nota de um único juiz ainda assim influenciou o resultado final. A qualidade técnica dos franceses foi reconhecida por parte da crítica, mesmo com erros visíveis.
Para Chock e Bates, o foco permanece na satisfação do desempenho e no apoio recebido, embora o episódio tenha marcado a trajetória olímpica de ambas as equipes. O evento evidencia a complexidade de traduzir a técnica em uma vitória inequívoca.
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