- Em Quijingue, na Bahia, o prefeito Romerinho afirmou ter descontrole fiscal em decreto de emergência, com salários atrasados, dívidas com fornecedores e redução de serviços de saúde.
- Mesmo diante disso, a prefeitura aumentou gastos com festas, incluindo o São João e o São Sebastião, com a dupla Zé Neto e Cristiano recebendo R$ 854 mil; a cidade tem um dos menores PIBs per capita do país.
- Levantamento do UOL, com dados do PNCP, aponta que 1.074 municípios em situação fiscal ruim gastaram ao menos R$ 2,1 bilhões em cachês de artistas nos últimos dois anos, em cidades com Capag baixo.
- Em Santa Bárbara do Tugúrio, Minas Gerais, vereadores também questionaram dívidas com fornecedores e obras paralisadas, enquanto gastos com shows seguem alto; prefeitura afirma ter nota A no Capag.
- Governo, Ministério Público e tribunais de contas discutem medidas para conter gastos com shows, sugerindo teto de cachês, exigência de contrapartidas, maior participação de artistas locais e transparência da origem dos recursos.
Em Quijingue, na Bahia, o novo prefeito Romerinho, do Avante, decretou estado de emergência em 6 de janeiro de 2025 por descontrole fiscal, orçamentário e administrativo. A cidade acumulava salários atrasados e dívidas com fornecedores, enquanto a gestão reduzia atendimento à saúde para conter despesas.
Apesar do aperto financeiro, a prefeitura elevou o investimento em festas. Em 2025, os gastos com celebrações de São João quadruicaram, e a contratação de artistas para a festa de São Sebastião, em janeiro de 2026, reachou 854 mil, com a dupla Zé Neto e Cristiano.
A postura de Quijingue não é isolada. Um levantamento do UOL, com dados do PNCP, aponta que 1.074 municípios em situação fiscal problemática gastaram ao menos 2,1 bilhões de reais com cachês de artistas nos últimos dois anos. O recorte considerou cidades com Capag abaixo de C.
Quijingue é citada para ilustrar o quadro. Economista ouvido pela reportagem aponta que cidades com Capag baixo costumam ser as mais pobres, com menor desenvolvimento humano, e que investimentos em saúde e educação básicas trariam mais resultado do que gastos com cultura.
Ainda assim, os gastos reais costumam superar os 2,1 bilhões de reais identificados. Lacunas no PNCP dificultam a mensuração, e a transparência é tema de debate entre especialistas e gestores públicos. O levantamento aponta que parte dos recursos pode vir de emendas.
Prioridades e críticas aparecem com frequência. O presidente do sindicato dos servidores de Quijingue reclama que, apesar de dezenas de milhões gastos com shows desde 2025, salários de trabalhadores continuam atrasados. A prefeitura afirma buscar acordo para quitar pendências.
Em Santa Bárbara do Tugúrio, Minas Gerais, o cenário se repete. Vereadores apontam dívidas com fornecedores e obras paralisadas, mas o município continuou contratando cantores de sucesso. A Justiça barrou algumas contratações, mas outras receitas chegaram a 600 mil, 500 mil, 480 mil e 390 mil para artistas.
A prefeitura de Santa Bárbara do Tugúrio afirma respeitar decisões judiciais que cancelaram shows, mas defende que eventos culturais ajudam a identidade local e contam com patrocínios. O município sustenta ter nota A em Capag, mas não detalha as obras de água e saúde citadas.
Casos semelhantes chamaram a atenção de Ministérios Públicos e Tribunais de Contas. Investigações apontam como disparidades de cachês entre as mesmas atrações podem indicar superfaturamento. Em 2024 e 2025, ações civis acompanhavam contratos de shows sem licitação.
Especialistas destacam que mudanças de preço entre cidades indicam irregularidades. Em alguns estados, o uso de emendas para financiar shows é tema de debate, com impactos sobre a gestão pública. Ministérios Públicos de diversos estados já abriram inquéritos.
Para reduzir gastos, prefeitos propõem teto para cachês e maior ênfase em artistas locais. Em Bahia, o Ministério Público estadual lançou nota técnica orientando o que considerar em contratos de São João, com propostas de contrapartidas para contratos acima de certos valores.
Entre as iniciativas, há painéis de transparência de cachês na Bahia e em Pernambuco e propostas de lei para exigir divulgação detalhada, com prazo mínimo de antecedência. Parlamentares defendem que o Erinnerung a divulgação evita abusos.
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