Em Alta NotíciasFutebolBrasileconomiaPolítica

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Cidades gastam mais de R$ 2 bilhões em shows

Levantamento aponta mais de R$ 2,1 bilhões em cachês de artistas em municípios com Capag baixo, enquanto salários atrasados impactam serviços básicos

Photo
0:00
Carregando...
0:00
  • Em Quijingue, na Bahia, o prefeito Romerinho afirmou ter descontrole fiscal em decreto de emergência, com salários atrasados, dívidas com fornecedores e redução de serviços de saúde.
  • Mesmo diante disso, a prefeitura aumentou gastos com festas, incluindo o São João e o São Sebastião, com a dupla Zé Neto e Cristiano recebendo R$ 854 mil; a cidade tem um dos menores PIBs per capita do país.
  • Levantamento do UOL, com dados do PNCP, aponta que 1.074 municípios em situação fiscal ruim gastaram ao menos R$ 2,1 bilhões em cachês de artistas nos últimos dois anos, em cidades com Capag baixo.
  • Em Santa Bárbara do Tugúrio, Minas Gerais, vereadores também questionaram dívidas com fornecedores e obras paralisadas, enquanto gastos com shows seguem alto; prefeitura afirma ter nota A no Capag.
  • Governo, Ministério Público e tribunais de contas discutem medidas para conter gastos com shows, sugerindo teto de cachês, exigência de contrapartidas, maior participação de artistas locais e transparência da origem dos recursos.

Em Quijingue, na Bahia, o novo prefeito Romerinho, do Avante, decretou estado de emergência em 6 de janeiro de 2025 por descontrole fiscal, orçamentário e administrativo. A cidade acumulava salários atrasados e dívidas com fornecedores, enquanto a gestão reduzia atendimento à saúde para conter despesas.

Apesar do aperto financeiro, a prefeitura elevou o investimento em festas. Em 2025, os gastos com celebrações de São João quadruicaram, e a contratação de artistas para a festa de São Sebastião, em janeiro de 2026, reachou 854 mil, com a dupla Zé Neto e Cristiano.

A postura de Quijingue não é isolada. Um levantamento do UOL, com dados do PNCP, aponta que 1.074 municípios em situação fiscal problemática gastaram ao menos 2,1 bilhões de reais com cachês de artistas nos últimos dois anos. O recorte considerou cidades com Capag abaixo de C.

Quijingue é citada para ilustrar o quadro. Economista ouvido pela reportagem aponta que cidades com Capag baixo costumam ser as mais pobres, com menor desenvolvimento humano, e que investimentos em saúde e educação básicas trariam mais resultado do que gastos com cultura.

Ainda assim, os gastos reais costumam superar os 2,1 bilhões de reais identificados. Lacunas no PNCP dificultam a mensuração, e a transparência é tema de debate entre especialistas e gestores públicos. O levantamento aponta que parte dos recursos pode vir de emendas.

Prioridades e críticas aparecem com frequência. O presidente do sindicato dos servidores de Quijingue reclama que, apesar de dezenas de milhões gastos com shows desde 2025, salários de trabalhadores continuam atrasados. A prefeitura afirma buscar acordo para quitar pendências.

Em Santa Bárbara do Tugúrio, Minas Gerais, o cenário se repete. Vereadores apontam dívidas com fornecedores e obras paralisadas, mas o município continuou contratando cantores de sucesso. A Justiça barrou algumas contratações, mas outras receitas chegaram a 600 mil, 500 mil, 480 mil e 390 mil para artistas.

A prefeitura de Santa Bárbara do Tugúrio afirma respeitar decisões judiciais que cancelaram shows, mas defende que eventos culturais ajudam a identidade local e contam com patrocínios. O município sustenta ter nota A em Capag, mas não detalha as obras de água e saúde citadas.

Casos semelhantes chamaram a atenção de Ministérios Públicos e Tribunais de Contas. Investigações apontam como disparidades de cachês entre as mesmas atrações podem indicar superfaturamento. Em 2024 e 2025, ações civis acompanhavam contratos de shows sem licitação.

Especialistas destacam que mudanças de preço entre cidades indicam irregularidades. Em alguns estados, o uso de emendas para financiar shows é tema de debate, com impactos sobre a gestão pública. Ministérios Públicos de diversos estados já abriram inquéritos.

Para reduzir gastos, prefeitos propõem teto para cachês e maior ênfase em artistas locais. Em Bahia, o Ministério Público estadual lançou nota técnica orientando o que considerar em contratos de São João, com propostas de contrapartidas para contratos acima de certos valores.

Entre as iniciativas, há painéis de transparência de cachês na Bahia e em Pernambuco e propostas de lei para exigir divulgação detalhada, com prazo mínimo de antecedência. Parlamentares defendem que o Erinnerung a divulgação evita abusos.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais