- A análise da American Cancer Society indica que o câncer colorretal passou a ser a principal causa de mortes por câncer entre pessoas com menos de 50 anos nos Estados Unidos.
- Cerca de três quartos dos pacientes com menos de 50 chegam ao diagnóstico em estágio avançado, por não terem feito screeners regulares e por não levarem a sério os sintomas.
- Sintomas como sangue nas fezes e alterações no ritmo intestinal devem levar à avaliação médica; testes de rastreamento como o Cologuard e o FIT ajudam a descartar câncer para quem prefere não fazer colonoscopia de imediato.
- Médicos precisam discutir opções para preservar fertilidade e função sexual antes do início do tratamento em pacientes jovens.
- A mudança na incidência é associada ao chamado efeito de coorte de nascimento; ainda não se sabe exatamente por que jovens estão mais suscetíveis, com fatores de alimentação e exposição ambiental entre as hipóteses em estudo.
O câncer colorretal passou a ser a principal causa de mortes por câncer entre pessoas com menos de 50 anos nos Estados Unidos, aponta uma análise da American Cancer Society. A informação marca uma mudança significativa no perfil da doença.
Entre os fatores apontados estão o diagnóstico em estágios avançados e a baixa adesão a exames de rastreamento, como colonoscopia. A epidemia entre jovens surge apesar de outras faixas etárias apresentarem queda nas mortes por colorretal.
Becca Lynch, moradora de Denver, recebeu o diagnóstico de câncer de cólon em estágio 3B aos 29 anos, no ano passado. Ela descreve sintomas como fezes finas, aumento da frequência e sangue escuro, que passaram despercebidos por meses.
Ela adiou a colonoscopia por vários meses e só confirmou o diagnóstico depois. A história de Lynch é comum segundo a pesquisadora Rebecca Siegel, da American Cancer Society, que lidera o estudo.
Quase três quartos das pessoas com menos de 50 anos já têm doença avançada no momento do diagnóstico, em razão da falta de rastreamento regular e da percepção de risco baixo para a idade, diz Siegel.
A professora Cass Costley inspirou Lynch após relatar sintomas semelhantes, o que desencadeou a busca médica. Costley faleceu em decorrência da doença, elevando o coro de quem alerta para a gravidade dos sinais.
Para quem ainda não entra em colonoscopia, especialistas recomendam testes de fezes como Cologuard e FIT, que ajudam a afastar o câncer sem o exame invasivo, segundo Siegel.
Em comparação, o câncer colorretal em pessoas com 65 anos ou mais continua a cair, com mais de dois por cento ao ano, segundo a pesquisadora. O aumento entre jovens mudou o cenário de diagnóstico e tratamento.
Os médicos precisam adaptar o cuidado a pacientes mais jovens, incluindo discussões sobre fertilidade e função sexual antes do tratamento, aponta Siegel. A ideia é oferecer opções preservacionistas sempre que possível.
Os especialistas ainda buscam explicações para o crescimento entre jovens. O que chamam de efeito de coorte sugere influência de fatores de exposição presentes na segunda metade do século XX que afetam gerações seguintes.
Alguns estudos apontam mudanças na alimentação, uso de alimentos processados e embalagens plásticas como possibilidades, ainda sem confirmação conclusiva. Microplásticos também são citados como hipótese de exposição.
Populações específicas estão entre as mais impactadas. Entre elas, os Alaska Natives apresentam mortalidade elevada, conforme Siegel, que reforça a necessidade de mais pesquisas e financiamento para entender os motivos.
Casos como os de Lynch e Chakrabarty, ambos com diagnóstico precoce, destacam a importância de reduzir o estigma e incentivar a busca por avaliação médica diante de sinais gastrointestinais persistentes.
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