- Mais de 2.000 funcionários da ABC em toda a Austrália participaram de uma greve de 24 horas, levando serviços de TV, rádio e digital a usar conteúdo do BBC World Service e programação repetida.
- Às 11h, o canal de notícias da ABC passou a exibir o BBC World Service, em meio ao protesto dos trabalhadores.
- Os trabalhadores reivindicam salário compatível com a inflação, melhores condições de trabalho e mudanças no processo de avaliação e progressão na carreira; a administração contesta as propostas.
- Programas de destaque, incluindo o News Breakfast, boletins das 19h, 7.30 e programas de notícias de AM a PM, foram substituídos pelo conteúdo da BBC, com retorno dependente de acordo de emergência.
- O diretor-executivo Hugh Marks afirmou que os custos com pessoal representam cerca de 60% do orçamento da ABC e que aumentos salariais podem levar a cortes de empregos; jornalistas da MEAA destacaram disposição para retornar em caso de grande evento.
O ABC suspendeu atividades em todo o país, em uma greve de 24 horas que afetou serviços de televisão, rádio e digital. Mais de 2.000 funcionários participaram da paralisação, com a BBC World Service e programação repetida sendo usadas para preencher a grade enquanto o movimento ocorre.
A direção do ABC afirma que não retirará suas propostas de remuneração e condições de trabalho, mesmo diante da interrupção. O presidente executivo Hugh Marks justificou que a paralisação decorre de discordâncias sobre como sustentar empregos estáveis e competitivos, sem entrar em detalhes sobre negociações em curso.
A greve teve início na manhã desta quarta-feira, com o canal de notícias ABC News Channel migrando para a BBC World Service. Em Melbourne, Raf Epstein, apresentador da rádio local, explicou que a paralisação busca reajustes salariais compatíveis com a inflação e melhoria nas condições de trabalho.
Em Sydney, a direção indicou que a cobertura de emergências poderia acionar medidas especiais. A empresa enfatizou que pretende manter o acesso à informação, ainda que o conteúdo seja, temporariamente, de produção externa ou de catálogo da BBC. O objetivo é manter o serviço público, dentro das limitações impostas pela greve.
Entre os pontos de disputa, estão a oferta de reajuste de 10% em três anos, com 3,5% no primeiro ano e 3,25% nos dois seguintes, bem como questões sobre avaliação de desempenho, progressão na carreira, adicionais noturnos e licença de saúde reprodutiva. As partes divergem sobre como equilibrar custos com o orçamento, que o ABC diz ter em torno de 60% com salários.
A MEAA, representante dos jornalistas, destacou que há abertura para retomar atividades em caso de grande evento que coloque a audiência em risco, e questionou a capacidade de mudanças rápidas, dados os entraves em negociações anteriores. A diretoria mantém que a proposta atual não atende às exigências para evitar demissões.
O ABC informou que a inflação anual no país ficou em 3,8% e que qualquer aumento de custos impacta diretamente o quadro de empregos. Em meio à greve, o diretor-geral também mencionou que pode alterar a definição de transmissão de emergência para incluir mais eventos além de desastres naturais, se necessário.
Enquanto o impasse persiste, as equipes de programação e equipes técnicas estão substituídas por conteúdo da BBC e por trilhas de programação. O movimento marca uma ruptura relevante, já que, segundo Marks, o ABC não enfrentava uma paralisação de tal magnitude há duas décadas.
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