- Mais de 75% do quadro da ABC cruzará os braços na quarta-feira, pela primeira vez em 20 anos, gerando interrupção de 24 horas nos serviços de notícias.
- A ação envolve o sindicato dos jornalistas, o Media, Entertainment and Arts Alliance (MEAA), e o sindicato dos funcionários públicos e não jornalistas, o Community and Public Sector Union (CPSU).
- A proposta de reajuste de 10% no total em três anos foi rejeitada, com 3,5% no primeiro ano e 3,25% nos dois anos seguintes.
- Sessenta por cento dos trabalhadores votaram não ao acordo revisado, que oferecia um pagamento único de $1.000, podendo excluir trabalhadores temporários.
- A ABC, cuja audiência nacional cobria cerca de 65% da população em 2023, aguarda impactos amplos na programação devido à paralisação.
Mais de 75% dos trabalhadores da ABC vão paralisar as atividades na quarta-feira, pela primeira vez em 20 anos, provocando grande interrupção nos serviços de notícia do emissor público por 24 horas.
A greve envolve filiados à Media, Entertainment and Arts Alliance MEAA e à Community and Public Sector Union CPSU, sindicato de funcionários não jornalistas. A mobilização é protegida por operação industrial.
Unidades sindicais rejeitaram o acordo apresentado, que prevê um aumento total de 10% em três anos, sendo 3,5% no primeiro ano e 3,25% nos dois seguintes. Reivindicações incluem avaliação de desempenho, progressão na carreira, adicionais noturnos e licença por saúde reprodutiva.
Encerrada a votação, 60% dos colegas votaram contra a nova proposta de acordo, que também ofereceu um pagamento único de US$ 1.000 para funcionários formais, excluindo temporários. Votou-se com a participação de 75% do quadro total.
A paralisação está prevista para começar às 11h (horário local) de quarta-feira, com a ausência de produtores, operadores de câmera e diretores, dificultando a transmissão de programas, incluindo a edição de atualidades em horário nobre 7.30.
Essa situação ocorre em meio à estimativa de alcance nacional da ABC, que em 2023 atingiu aproximadamente 65% da população brasileira por meio de televisão, rádio e online, conforme relatório anual. A nota reforça a possibilidade de interrupção significativa.
Histórico e contexto
A última greve dos trabalhadores da ABC ocorreu em 2006, quando a paralisação afetou serviços de TV e rádio. Na época, houve ajustes para manter parte da programação de emergência, com a BBC sendo veiculada em algumas horas.
Representantes das entidades sindicais destacaram que a paralisação não é a escolha preferida e que continuaram buscando negociação justa. O objetivo é obter propostas que assegurem salários compatíveis com a inflação e condições estáveis de trabalho.
A ABC informou ter sido contactada para comentar a matéria. A cobertura sobre o desfecho das negociações permanece sob protocolos institucionais, sem declarações públicas adicionais até o momento.
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