- Abelardo de la Espriella derrotou Iván Cepeda no segundo turno, com 49,7% dos votos, cerca de 13 milhões, ante 48,7%.
- Evangélicos na Colômbia ficaram divididos: apoio de algumas megasigrejas e grupos evangélicos a De la Espriella, mas muitos jovens votaram em Cepeda.
- De la Espriella, outsider sem experiência política, prometeu segurança pública e reduzir políticas progressistas; planeja abolir o Ministério da Igualdade.
- Cepeda defendeu negociações de paz, proteção ao meio ambiente e de populações historicamente marginalizadas, recebendo apoio de parcelas jovens e urbanas.
- A eleição evidenciou diferenças geracionais, regionais e socioeconômicas, com apoio a De la Espriella em capitais e áreas ricas, e apoio a Cepeda em bairros pobres e regiões rurais.
Em 21 de junho, Abelardo de la Espriella foi eleito presidente da Colômbia em disputa acirrada com Iván Cepeda. O resultado confirma a virada do espectro político do país, após quatro anos de gestão de Gustavo Petro. A vitória ocorreu com percentuais próximos a 49,7% frente a 48,7%.
A apuração, com mais de 99% dos votos, ocorreu em meio a mobilização de eleitores evangélicos, que representam parte relevante da população. De la Espriella recebeu apoio de megasigrejas e grupos religiosos, mesmo sem experiência em cargos públicos e sem partido tradicional.
O pleito ocorreu dois dias após ataques contra uma igreja evangélica no norte do país, refletindo o ambiente de violência ligado ao tráfico e a organizações criminosas que atuam em áreas rurais e urbanas. A disputa eleitoral manteve o foco em segurança, economia e combate ao crime.
O que mudou e quem está envolvido
De la Espriella, ex-defensor de defesa criminal e empresário, prometeu políticas de segurança mais firmes e uma equipe de governo com atuação empresarial. José Manuel Restrepo, economista, foi indicado como vice na chapa, com histórico em ministérios de comércio, indústria e turismo.
Cepeda, senador de esquerda, defendeu propostas de paz com grupos armados, proteção ambiental e defesa de populações historicamente marginalizadas. A campanha teve apoio de várias igrejas e de organizações religiosas, além de eventos interreligiosos nas últimas semanas.
Entre os eleitores evangélicos, há divisão. Pesquisadores apontam que há uma parcela expressiva que apoiou De la Espriella por propostas de ordem e valores conservadores, ao passo que jovens e comunidades religiosas mais disengajadas tiveram resistência, favorecendo Cepeda em muitas regiões urbanas.
A cobertura destaca ainda o papel de influenciadores cristãos e artistas, que apoiaram publicamente o candidato de direita. Ao mesmo tempo, líderes religiosos buscaram manter posição neutra ou apoiar propostas de convivência e direitos civis, evitando alinhamento aberto com qualquer candidato.
Contexto político e social
A eleição expõe diferenças geracionais, geográficas e socioeconômicas no país. Em cidades-chave, o apoio diverge entre regiões centrais e áreas periféricas, refletindo padrões de pobreza, infraestrutura e segurança pública.
Não houve, durante a campanha, uma posição unificada entre organizações evangélicas sobre apoio a candidatos, ainda que parte delas tenha participado de mobilizações e eventos de oração. A CEDECOL incentivou oração cívica de forma ampla, sem endossar publicamente um concorrente.
O resultado marca a continuidade de debates sobre políticas de energia, incluindo fraturamento energético. Debates também passaram pela manutenção de direitos já assegurados, como liberdades civis e direitos de minorias, em equilíbrio com propostas de reformas do governo.
As eleições também revelaram a presença de plataformas religiosas ativas na política, com apoio de ministérios e igrejas a candidatos específicos. A participação de artistas cristãos e influenciadores reforçou a dimensão cultural da disputa, sem abandonar o aspecto técnico das propostas.
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