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Da migração a Mandelson: acertos e falhas de Keir Starmer no No. 10

A controvérsia Mandelson expõe falhas de vetting e provoca a demissão do chefe de gabinete, deixando marcas na gestão de Starmer

Keir Starmer during a debate on the king's speech in the House of Commons.
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  • Lei de direitos trabalhistas elevou salário mínimo para mais de 2,4 milhões de trabalhadores e abriu caminhos para direitos em licença médica, parental e contratos de zero horas; também houve avanço para inquilinos com regras mais rigorosas para despejo.
  • Medidas para crianças e famílias incluíram o fim do teto de dois filhos no benefício, abertura de mil “Best Start” hubs e expansão de creche gratuita de 30 horas semanais, além de ações de saúde oral infantil.
  • Política externa: acordo comercial com os Estados Unidos sob a liderança de Donald Trump; busca de maior proximidade com a União Europeia e um possível “Brexit reset” para alinhamento regulatório.
  • Economia e investimentos: criação de um fundo de riqueza nacional de 7,3 bilhões de libras e mudança nas regras fiscais para liberar cerca de 113 bilhões de libras em investimentos; ainda assim houve recuo de previsões de crescimento e impactos da crise no Irã.
  • Mandelson e uma série de recuos: demissão de Peter Mandelson por questões de vetting, queda de confiança e demissão de Morgan McSweeney; mudanças de posição em benefícios, imposto sobre heranças para fazendeiros e cortes em ajuda ao exterior, gerando críticas a Starmer.

Keir Starmer chegou ao No 10 prometendo estabilidade e moderação, com foco em reconstruir o país. Ao longo de dois anos, enfrentou erros não intencionais, ventos econômicos desfavoráveis, escândalos e resultados eleitorais ruins em várias frentes.

A gestão registrou avanços em direitos dos trabalhadores, expansão de benefícios para famílias e medidas na área de habitação. Também houve atuação internacional mais visível, com acordos comerciais e uma postura de alinhamento com a UE em determinadas frentes.

No âmbito social, o governo anunciou a suspensão de políticas de apoio a famílias com três filhos e ampliou programas de educação e assistência infantil. A partir de 2026, foram lançadas redes de apoio infantil e creches gratuitas em parte do ensino público.

Sucesso: direitos dos trabalhadores e salários

A lei de direitos dos trabalhadores, aprovada no fim de 2024, ampliou direitos como pagamento por doença, licença parental e contratos de zero horas. A medida foi encarada como avanço por sindicalistas, enquanto críticos alertaram para custos empresariais.

A partir de abril deste ano, o salário mínimo fora criado para maiores de 21 anos, elevando o piso para 12,71 libras por hora. Aproximadamente 2,4 milhões de trabalhadores foram beneficiados, com ganho anual médio de cerca de £900.

Sucesso: atuação internacional e relações externas

Starmer reforçou o papel internacional, destacando um acordo de comércio com redução de tarifas em setores como carros, alumínio e aço. A relação com a União Europeia ganhou ênfase, com a ideia de um novo marco de cooperação econômica e defesa.

Na política externa, o governo defendeu uma maior integração europeia em defesa, energia e economia. O próximo encontro UE-Reino Unido era visto como ponto-chave do mandato, com planos de um pacote para adoção de regras do mercado único sem votação parlamentar.

Sucesso: crianças e educação

O governo abriu planos para encerrar o teto de benefício infantil de dois filhos, ressaltando impactos na pobreza infantil. Além disso, foram anunciadas 1.000 novas “Best Start” e a ampliação de creches gratuitas para pais trabalhadores.

Iniciativas de saúde dental infantil também foram anunciadas, com metas de ampliar o número de consultas. A educação recebeu um white paper sobre necessidades especiais, obtendo apoio de lideranças educacionais.

Sucesso: imigração

Em 2025, foram anunciadas medidas que visavam reduzir a migração líquida nos próximos quatro anos. Dados públicos indicam queda na migração líquida, em asilo e na chegada de pessoas em pequenas embarcações, segundo observadores.

Sucesso: economia e finanças públicas

Custos de empréstimos atingiram baixa de três anos em abril, antes das flutuações ligadas ao conflito no Irã. A inflação caiu no início do ano e havia expectativas de novas reduções de juros. O governo criou um fundo de riqueza de 7,3 bilhões de libras para investimentos.

O chanceler Rachel Reeves alterou regras fiscais para liberar 113 bilhões de libras em investimentos de infraestrutura, com foco em energia, habitação e transporte, incluindo projetos de energia nuclear e ferrovias.

Falha: medidas impopulares e custo político

Entre as decisões impopulares, ficou a proposta de cortar a ajuda de inverno para a maioria dos idosos, que ganhou backing público e luego foi revertida após forte reação eleitoral. A prática de mudanças em bem-estar foi alvo de críticas entre parlamentares.

Austeridade e mudanças em benefícios geraram resistência entre membros do partido, levando a reviravoltas em políticas de welfare, inclusive em benefícios para pessoas com deficiência. A gestão de mensagens também foi alvo de críticas.

Falha: economia e previsões

Mudanças no imposto sobre a folha de pagamento para financiar déficits enfrentaram resistência, com impactos potencialmente negativos sobre emprego e crescimento. Previsões de crescimento foram revisadas para baixo por órgãos internacionais, acentuando dúvidas sobre a recuperação.

A economia enfrentou pressão externa, incluindo o impacto de tensões no Oriente Médio sobre as economias avançadas. As projeções de crescimento para 2026 foram ajustadas por organismos globais, alimentando a percepção de desafio fiscal.

Falha: o episódio Mandelson

O governo afastou Peter Mandelson como embaixador nos EUA por não ter revelado plenamente vínculos com um condenado por crimes sexuais. A controvérsia gerou quedas de confiança internas, com a saída de assessores próximos e a divulgação de documentos sobre a nomeação.

Relatórios apontaram que Mandelson recebeu briefings de segurança antes de finalizar a apuração, o que impulsionou críticas internas ao trabalho de Starmer. O caso manteve-se como uma tensão política ao longo do mandato.

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