- O presidente Gustavo Petro mantém participação ativa na política, dificultando que Iván Cepeda se distancie dele na campanha da segunda volta.
- Cepeda evita a ideia de Assembleia Nacional Constituinte e busca apoio de centro político, liberalismo democrático e setores reformistas, sem conseguir consolidar respaldo significativo.
- Cepeda reconheceu os resultados da primeira volta, em 31 de maio, com 40,9% dos votos, atrás de Abelardo De la Espriella, e afirmou não haver provas de irregularidades protuberantes.
- Durante o feriado, Cepeda fez várias postagens nas redes sociais; Petro publicou muito mais mensagens, muitas com cunho eleitoral e, em um episódio, respondeu a um columnista com uma frase polêmica.
- Analistas apontam que a campanha de Cepeda depende de descolar-se de Petro para ampliar o apoio, o que é dificultado pela própria lógica de continuidade defendida pelo presidente; há alianças do candidato com diversas figuras do centro e da oposição interna.
O senador Iván Cepeda, candidato da esquerda na segunda volta, encara a dificuldade de reduzir o peso de posições defendidas pelo presidente Gustavo Petro. Cepeda tenta se distanciar de propostas polêmicas associadas ao governo, especialmente a ideia de uma Assembleia Nacional Constituinte.
Petro vem mantendo presença constante na propaganda eleitoral, mesmo com críticas sobre a invasão de espaço na campanha de Cepeda. O mandatário apoia abertamente a candidatura de Cepeda, embora não tenha discreto o suficiente o ajuste de tom desejado por aliados de centro.
Na última semana, Cepeda fechou a porta à ideia de uma Constituinte, reforçou sua posição de diálogo com setores moderados e aceitou os resultados da primeira volta, realizada em 31 de maio, onde obteve 40,9% dos votos. O adversário de ultra direita Abelardo de la Espriella teve 43,7%.
Entre os líderes de centro, destacam-se Sergio Fajardo e Claudia López, que ainda não publicaram apoio formal a Cepeda. Um grupo de 30 personalidades do centro publicou um manifesto apontando a necessidade de reduzir a polarização e a violência, sem favorecer um dos finalistas.
Cepeda reconheceu, após a apuração, os resultados da primeira volta e afastou as acusações de fraude envolvendo Petro. O candidato do Pacto Histórico já havia dito que não havia provas de irregularidades relevantes, mas inicialmente se alinhou a críticas que depois recuou.
Durante o feriado prolongado, Cepeda usou as redes para agradecer apoios e reforçar mensagens de moderção. Em resposta, Petro manteve uma presença intensa nas redes, com mensagens voltadas a elementos da campanha, incluindo ataques a adversários. Um episódio gerou controvérsia depois que um comentário do presidente provocou forte reação pública.
Analistas veem Cepeda preso à lógica imposta pela campanha de Petro, dificultando a mudança para uma posição mais central. Segundo Sergio Guzmán, da Colombia Risk Analysis, a credibilidade do candidato depende de descolar-se do presidente, o que pode ser complexo diante do histórico de apoio.
Cepeda tem alianças com a Aliança pela Vida e com setores da Aliança Verde e do Liberalismo reformista, além de contatos com figuras como Juan Fernando Cristo. Auspícios desses grupos buscam atrair indecisos e votantes de centro, evitando a depender exclusivamente da base de apoio de Petro.
Especialistas destacam que a estratégia atual precisa de maior mobilização de centro e abstencionistas. No entanto, o desafio central é o protagonismo de Petro, que dificultaria a percepção de Cepeda como moderado e independente no momento decisivo da campanha.
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