- A ONU afirma que autoridades israelenses estão diretamente envolvidas em ataques de colonos na Cisjordânia, com apoio financeiro e militar, e que as forças de segurança costumam acompanhar e cobrir essas ações.
- Os ataques a vilarejos e terras palestinas cresceram 130% desde 2023, incluindo incidentes com agressores mascarados.
- A violência resulta em deslocamento de palestinos e é vista como parte de políticas de Estado para ocupação e anexação de território.
- Na Faixa de Gaza, grupos ligados ao Hamas teriam participado de cerca de 60 dos 249 casos de execuções e violência grave entre 2024 e 2025; os ataques de 7 de outubro de 2023 também são considerados crimes de guerra.
- Reações oficiais: Israel nega cobrir ataques e aponta incidentes isolados; a CIJ já declarou a ocupação ilegal em parecer consultivo, e a ONU pede desmantelar assentamentos.
Uma investigação da ONU afirma que autoridades de Israel apoiaram e facilitaram ataques de colonos na Cisjordânia ocupada, conforme relatório divulgado nesta terça-feira, 9 de maio de 2025. O documento aponta que forças de segurança israelenses deram cobertura aos ataques.
Segundo o relatório, os ataques contra vilarejos palestinos e terras agrícolas cresceram 130% desde 2023, com participação de grupos mascarados. A ONU diz que a proteção aos colonos é rotina das forças de segurança, com acompanhamento próximo.
A comissão afirma que o clima de impunidade é fomentado por órgãos judiciais e de aplicação da lei. O presidente da comissão, Srinivasan Muralidhar, disse que a violência é resultado direto de políticas israelenses de apoio, permissão e proteção.
O gabinete do primeiro-ministro de Israel não comentou o relatório. O governo israelense rejeita que tropas protejam colonos, alegando incidentes isolados e investigação de cada caso. Grupos de direitos humanos criticam a eficácia das punições.
A missão diplomática de Israel em Genebra contestou as conclusões, alegando falsa equivalência entre Hamas e civis israelenses. O Exército afirmou que atua para manter a segurança e condena abusos contra soldados, quando comprovados.
Centenas de milhares de colonos vivem entre milhões de palestinos na Cisjordânia. A comunidade internacional, bem como a CIJ, considera ilegais muitos assentamentos, o que Israel contesta com base em vínculos históricos.
Violência contra crianças e mulheres
A ONU aponta que ao menos sete palestinos foram mortos no ano passado e 832 ficaram feridos. Em 2025, as agressões ocorrem quase diariamente, com relatos de sequestros e abusos de crianças por colonos.
A comissão documenta casos de agressões, sequestros e abusos contra crianças palestinas. Em 19 de abril de 2025, uma menina de 12 anos e um menino de 3 foram flagrados sendo mantidos amarrados até a intervenção da família.
Relatos indicam violência sexual contra mulheres palestinas e tentativas de intimidação. Embora haja condenações e desmantelamento de alguns postos, não houve medidas sustentadas para interromper os ataques.
O presidente da comissão pediu pressão internacional para desmantelar assentamentos e conter a violência. Segundo ele, ataques diários são intoleráveis e precisam cessar.
Violência do Hamas
O relatório também registra abusos cometidos pelo Hamas na Faixa de Gaza, envolvendo execuções e violência física contra pessoas suspeitas de cooperação com Israel. A comissão afirma que forças ligadas ao Hamas estiveram em pelo menos 60 dos 249 casos analisados entre 2024 e 2025.
Casos graves incluem execuções públicas de homens, espancamentos com barras metálicas e fraturas. A comissão classifica esses atos como crimes de guerra e violações do direito internacional.
Ainda segundo o documento, os ataques de 7 de outubro de 2023, que deixaram cerca de 1.200 mortos em Israel, também são considerados crimes de guerra. A violência desencadeou a ofensiva israelense em Gaza, com grande número de mortos e devastação.
Muralidhar destacou que o Hamas aproveita o vácuo aberto pelos conflitos para ampliar suas ações. Um relatório anterior já havia indicado que Israel cometeu genocídio na ofensiva em Gaza, acusação rejeitada pelo governo israelense.
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