- A ONU aponta que o governo israelense facilitou ataques de colonos na Cisjordânia por meio de apoio financeiro e militar, criando clima de impunidade.
- Os ataques de colonos aumentaram 130% desde 2023, incluindo ações de grupos encapuzados, segundo a comissão.
- As forças de segurança de Israel costumam acompanhar os colonos e atuam como escudo em episódios de violência.
- O governo de Benjamin Netanyahu rejeita as conclusões, classifica-as como falsa equivalência e afirma ter condenado a violência.
- Um grupo de seis países, liderado pelo Reino Unido, anunciou sanções contra entidades e indivíduos ligados à expansão ilegal de asentamentos.
O relatório da ONU aponta que autoridades israelenses estão direta e indiretamente envolvidas em ataques de colonos judeus na Cisjordânia, que deslocaram milhares de palestinos e deixaram mortos e feridos. A comissão internacional afirma que o governo de Israel facilitou esses ataques com apoio financeiro e militar, em um ambiente de impunidade promovido por instituições de aplicação da lei.
Segundo a investigação, os ataques de colonos contra aldeias palestinas e áreas agrícolas cresceram 130% desde 2023, com participação de grupos encapuzados. O documento sustenta que as forças de segurança israelenses frequentemente acompanham os colonos, funcionando como tipo de escudo em episódios de violência.
A missão israelense em Genebra rejeitou as conclusões, alegando desproporção entre militantes de Hamas e civis israelenses e classificando as acusações como sem fundamento. Representantes de Israel afirmaram que autoridades, incluindo o presidente Isaac Herzog e o premiê Benjamin Netanyahu, condenam a violência contra a população palestina.
O governo israelense informou à imprensa que a missão consiste em manter a segurança e combater o terrorismo, sempre revisando eventuais condutas de suas tropas. Organizações de direitos humanos, no entanto, apontam pouca aplicação de punições em casos de abusos.
Neste mesmo dia, seis países liderados pelo Reino Unido anunciaram sanções contra entidades e indivíduos ligados à expansão de assentamentos na Cisjordânia. A ministra britânica de Exteriores afirmou que a expansão e a violência associada ameaçam a viabilidade de dois Estados e a paz regional.
Contexto e impactos
Milhares de israelenses vivem em assentamentos no território ocupado desde 1967, posição contestada pela maior parte da comunidade internacional. O direito internacional é alvo de disputas entre Israel e a ONU, cuja corte já reconheceu a irregularidade de alguns assentamentos em 2024.
O relatório também aborda a violência na Faixa de Gaza, onde houve abusos documentados por forças aliadas a Hamas em 2024-2025. A comissão identificou casos de execuções e violência física grave, além de crimes de guerra atribuídos a ataques de Hamas em outubro de 2023.
As conclusões destacam que ataques diários de colonos contra palestinos são intoleráveis e devem cessar. A ONU reforça a necessidade de pressões internacionais para encerrar assentamentos e reduzir a violência na região.
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