- A Marcha para Jesus em São Paulo reuniu Flávio Bolsonaro e o governador Tarcísio de Freitas pela primeira vez desde o escândalo envolvendo o filme sobre Jair Bolsonaro.
- Os dois vinham em distanciamento após o vazamento de áudio em que Flávio pediu dinheiro para custear o filme “Dark Horse”; o encontro ocorreu dias após o anúncio da pré-candidatura de Guilherme Derrite ao Senado.
- A marcha ocorre em meio a uma operação policial que investiga a produtora do filme e possível uso de recursos da prefeitura de São Paulo para financiar pontos de wi‑fi em áreas da periferia; Karina Ferreira Gama é citada na investigação.
- Além de Flávio e Tarcísio, o presidente da Câmara Municipal, Ricardo Nunes, e o ministro André Mendonça estão previstos; Ronaldo Caiado também participa; Lula foi convidado, mas não comparecerá.
- Pesquisas indicaram queda de Flávio entre evangélicos após o caso; apóstolo Estevam Hernandes afirma que a presença dele na marcha pode fortalecer o vínculo com o eleitorado evangélico.
A Marcha para Jesus, realizada hoje em São Paulo, reuniu pela primeira vez Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência, e o governador Tarcísio de Freitas, após o escândalo em torno do filme Dark Horse. O encontro ocorreu no âmbito do evento religioso e político da capital paulista, com a participação de outras lideranças.
Antes distantes, Tarcísio e Flávio se reaproximaram após a divulgação de um áudio em que Flávio solicita patrocínio a um banqueiro para custear o filme. O duplo encontro ocorreu dois dias após o episódio, no lançamento da pré-campanha de Guilherme Derrite ao Senado, em Campinas.
O cenário envolve ainda a operação policial que investiga a produtora do filme, a GoUP Entertainment, ligada à ONG de Karina Ferreira Gama. A apuração mira possíveis desvios de recursos de contrato entre a prefeitura de São Paulo e a instituição Instituto Conhecer Brasil.
A polícia investiga se parte do dinheiro público custeou o filme sobre a família Bolsonaro. A operação foi comandada pela Polícia Civil de São Paulo e repercutiu entre aliados de Tarcísio e de Flávio, que contestam a relação com o tema cinematográfico.
A operação foi criticada pelo prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, aliado de Tarcísio, e por Flávio, que disse que a apuração não tem relação com o filme. Nunes chamou a investigação de erro grave se houver relação com o conteúdo da obra.
Tarcísio defendeu a autonomia da polícia para investigar, destacando que a atuação ocorre sem intervenção governamental. O governador afirmou que a instituição policial deve seguir o caminho institucional e de Estado.
No entorno do evento, surgiram desconfianças entre aliados de Flávio com a postura de Tarcísio. Bolsonaristas questionaram a contundência pública do governador em defesa do pré-candidato. Após o vazamento de áudios, Tarcísio afirmou ter questões a esclarecer.
Entre os participantes da marcha estão Flávio Bolsonaro, Tarcísio de Freitas e Ricardo Nunes, que devem discursar ao longo da tarde na praça Heróis da FEB, após a caminhada que começa pela região da Luz. O ministro André Mendonça também confirmou presença.
Além de Flávio, Tarcísio e Nunes, o evento conta com a participação de outros apoiadores do segmento evangélico. O senador não participou da edição no Rio de Janeiro, em maio, em meio a pesquisas que mostram retração de votos entre evangélicos.
A leitura entre evangélicos aponta tonalidades distintas. Um líder da Marcha, o apóstolo Estevam Hernandes, afirma que a presença de Flávio pode ajudar a manter apoio entre o público evangélico, mesmo com as controvérsias envolvendo o caso Dark Horse.
Hernandes destacou ainda que não vê ilegalidade no pedido de patrocínio a Vorcaro, atribuindo boa parte da reação ao timing e à divulgação das informações. A avaliação inclui que Lula, por sua vez, não participará do evento.
O governante Lula, por não comparecer, é visto por alguns participantes como fator de distanciamento com parte do público evangélico. O porta-voz do governo federal não participou da marcha, mantendo o cordão de apoio institucional ao evento.
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