- Will Hackman lança livro defendendo linguagem de clima centrada em pessoas: serviços, saúde, segurança, custos e comunidades, não apenas no planeta.
- Propõe ampliar a base de apoio, indo além dos já convencidos, com mensagens que falem a públicos céticos ou desconfiados.
- Observa que o clima continua altamente polarizado nos EUA; mensagens tradicionais costumam atingir apenas quem já acredita, limitando avanços políticos.
- Compartilha exemplos locais de comunicação mais eficaz, como o evento “Lone Pine Day” em Front Royal, virando foco de conservação local em vez de “Earth Day”.
- Critica a forma como o IRA foi comunicada e sugere framing voltado para custos e segurança energética para mobilizar apoio público e político.
Will Hackman lança um livro que propõe reformular o discurso sobre clima para ampliar o apoio público. A obra defende que a comunicação precisa sair de formatos de doom e culpa e se conectar a vidas cotidianas, saúde, segurança, custos e comunidades. O objetivo é tornar a pauta menos polarizada.
Em entrevista com Mongabay, Hackman explica que o clivê entre apoiar e rejeitar ações climáticas não é apenas técnico, é cultural e político. Segundo ele, mensagens baseadas em natureza e catástrofe atingem apenas o público já sensibilizado, não ampliam a base de apoio.
Hackman argumenta que apenas cerca de 10% das pessoas são avessas ao tema por identidade, segundo pesquisas da Yale. Assim, é preciso adaptar a comunicação para públicos mais céticos ou indiferentes, definindo quem se quer alcançar e como dizer.
O livro defende foco na proteção de pessoas e comunidades, em vez de salvar o planeta. A mensagem enfatiza impactos locais, como saúde, alergias, inundações e desastres, para tornar o tema mais tangível aos eleitores.
O autor também aborda ganhos políticos e o papel da comunidade. Ele cita exemplos de municípios que rebatizaram ações ambientais para prioridades locais, como conservação urbana, para reduzir resistências a políticas climáticas.
Hackman critica a forma como a inflação de ações é comunicada, destacando que a legislação de clima, como o Inflation Reduction Act, precisa ser apresentada em termos de custo-benefício para famílias, e não apenas como emissão de gases.
Segundo ele, avanços históricos da environmental movement — de Carson a campanhas de proteção de ozônio e limpeza de rios — mostraram impactos humanos. Contudo, ele afirma que soluções climáticas atuais demandam linguagem e estratégias diferentes.
O pesquisador destaca a importância de ações a nível subnacional, especialmente quando o governo federal recua. Estados e cidades podem manter políticas climáticas, embora persista a necessidade de liderança federal para resultados globais.
Sobre o papel dos Estados Unidos, Hackman afirma que o país tem responsabilidade histórica e atual pela saída de combustíveis fósseis. Ele sustenta que a liderança americana é essencial para o sucesso global do Acordo de Paris.
O livro traz ainda perguntas para engajar o público, como o significado pessoal de mudanças climáticas e a avaliação de situação ao longo de quatro anos de governo. A expectativa é que tais abordagens estimulem participação cívica e decisões políticas mais informadas.
Hackman aponta que reformas de linguagem e maior participação popular podem reduzir a polarização e ampliar ações em nível local. Com isso, ele propõe uma estratégia de comunicação que conecte, de forma prática, custos, benefícios e garantias de segurança aos cidadãos.
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