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Câmara aprova projeto para tornar públicos gastos de viagens do governo

Projeto da oposição amplia transparência: fim do sigilo sobre diárias, passagens e gastos com cartão corporativo de autoridades federais, com dados financeiros públicos

Texto segue para análise do Senado e libera acesso às informações sobre diárias e passagens do presidente e vice. (Foto: Ricardo Stuckert/Secom)
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  • A Câmara aprovou nesta quinta-feira, 21, um projeto de lei que proíbe o sigilo sobre gastos de viagens do governo federal, incluindo diárias, passagens e cartão corporativo, e encaminha a matéria ao Senado.
  • A proposta altera a Lei de Acesso à Informação para suspender classificações de sigilo por até cinco, 15 e 25 anos em gastos de diárias, passagens, alimentação, hospedagem, representação, transporte e compras com cartão.
  • Os valores das despesas devem permanecer públicos; apenas informações operacionais sobre as viagens podem ficar sigilosas, e dados financeiros não podem ser ocultados por segurança institucional.
  • O acesso incluirá diárias e passagens do presidente e do vice-presidente, além de gastos de cônjuges e filhos, que hoje podem ficar protegidos até o fim do mandato.
  • O texto endurece regras para documentos secretos e ultrassecretos; se a Comissão Mista de Reavaliação de Informações não analisar em até 120 dias, o sigilo é derrubado, e o Congresso poderá rever decisões do Executivo, com punição de improbidade administrativa para ocultar informações públicas, com perda do cargo e inelegibilidade por até cinco anos.

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quinta-feira (21) um projeto de lei que proíbe o sigilo sobre gastos públicos com viagens do governo federal, como diárias, passagens e despesas pagas com cartão corporativo. A medida, apresentada pela oposição, segue para o Senado e amplia a transparência prevista na LAI.

O texto impede interpretações que mantinham esses gastos em segredo por longos períodos. Hoje, sigilos podem durar até 5, 15 ou 25 anos, conforme a classificação. A proposta elimina a possibilidade de classificar diárias, passagens, alimentação, hospedagem, representação, transporte e compras como sigilosos.

Além disso, determina que os valores das despesas permaneçam públicos mesmo em deslocamentos de autoridades. Os dados operacionais, como meios de transporte, escalas e número de pessoas, devem ficar acessíveis, sem justificar segredo por segurança institucional.

O projeto libera o acesso a informações sobre diárias e passagens do presidente e do vice-presidente, bem como gastos envolvendo cônjuges e filhos. Hoje, esses dados podem ficar protegidos até o fim do mandato ou da reeleição.

O que muda

A proposta mantém protegido por até 100 anos dados pessoais de autoridades, em relação à intimidade e vida privada. Contudo, despesas pagas com dinheiro público deixam de ser consideradas informações privadas.

Punições e fiscalização

O texto endurece regras para documentos classificados como secretos e ultrassecretos no Executivo. Se não houver análise em 120 dias, o sigilo é derrubado automaticamente.

Também amplia os poderes do Congresso na fiscalização de informações sigilosas. Com decreto legislativo aprovado pelo Legislativo, decisões do Executivo podem ser revistas ou classificações reformadas.

Contexto e enredo legislativo

A ideia retorna um trecho vetado em 2011 pela então presidenta Dilma Rousseff, que retirou participação do Legislativo e Judiciário em decisões sobre sigilos. O objetivo atual é ampliar a transparência nos gastos públicos.

Aplicação e sanções

Além da transparência, o projeto prevê punições para agentes que utilizem sigilo para esconder irregularidades. A improbidade administrativa passa a incluir a imposição de segredo para obtenção de benefício pessoal, com perda do cargo e inelegibilidade até cinco anos.

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