- O enviado especial de Donald Trump, Jeff Landry, chegou a Nuuk sem convite e, apesar de planejar participar da inauguração, retornou à Luisiana na noite de quarta-feira.
- Foi inaugurado o novo consulado dos Estados Unidos em Nuuk, um prédio de três plantas e 3.000 metros quadrados, sem a presença da maioria dos integrantes do governo groenlandês convocados.
- A abertura ocorreu sob protestos; a ministra da Saúde, Anna Wangenheim, rejeitou marcar reunião com a delegação, e Landry recebeu expoentes de apoio com gorras de campanha que foram recusadas.
- Landry participou de um fórum econômico não convidado; o primeiro-ministro groenlandês, Jens-Frederik Nielsen, reiterou que Groenlândia não se incorpora aos Estados Unidos.
- A situação ocorre em um contexto de tensões entre Estados Unidos, Dinamarca e Groenlândia, com negociações sobre bases militares no sul da ilha e exploração de recursos naturais.
Jeff Landry, enviado especial de Donald Trump, deixou Nuuk, Groenlândia, sem participar da inauguração de um novo consulado dos EUA. A visita ocorreu em meio a protestos locais contra a presença de autoridades americanas na ilha ártica.
O consulado, instalado no centro de Nuuk, é o mais ao norte entre as representações americanas. A inauguração ocorreu nesta semana sem a presença de grande parte do governo groenlandês convocado para o evento. Em discurso, o embaixador dos EUA em Dinamarca destacou o objetivo de criar um espaço de encontro entre grupos groenlandeses e estadounidenses.
Landry desembarcou em Nuuk no domingo, sem convite formal, e retornou à Luísiana na noite de quarta-feira. O enviado afirma que veio “fazer amigos”, enquanto a população manifesta desconfiança com relação às aspirações dos EUA na região. A comitiva incluía Joseph Griffin, médico que acompanhava Landry para avaliar necessidades médicas, o que gerou críticas localmente.
Antes da saída de Landry, o aeroporto de Nuuk não recebeu recepção oficial. Na manhã seguinte, o representante da Casa Branca ofereceu gorros com a inscrição Make America Great Again a algumas crianças, que recusaram. A reação de parte da população refletiu descontentamento com a presença de autoridades estrangeiras sem convite.
O primeiro-ministro groenlandês, Jens-Frederik Nielsen, reiterou a posição de não integração de Groenlândia aos EUA, ao discursar em um fórum econômico durante a visita. Em entrevista, Landry citou as cores da bandeira norte-americana ao ser questionado sobre suas propostas, mantendo a posição de que há recados vermelhos a seguir.
Diversos motivos alimentaram o ceticismo local, incluindo críticas a possíveis pressões dos EUA sobre políticas groenlandesas. A ministra de Saúde, Anna Wangenheim, rejeitou reuniões com a delegação norte-americana para tratar de cooperação médica. A visita ocorreu em meio a consultas diplomáticas entre EUA, Dinamarca e Groenlândia.
Paralelamente, já circulavam notícias sobre iniciativas dos EUA na região, como a ideia de abrir bases militares no sul de Groenlândia, além de discussões sobre cooperação para exploração de recursos naturais. A pauta envolve questões estratégicas e geopolíticas de longa data entre as partes.
A inauguração do consulado coincide com um momento de tensões diplomáticas entre Dinamarca e EUA, destacando que Groenlândia continua sob governo semiautônomo dentro da Dinamarca. Em fevereiro, a crise foi contornada com apoio internacional, mas o debate sobre a soberania da ilha persiste entre comunidades locais e autoridades.
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