- Lai Ching-te, em Taipéi, afirma que o futuro de Taiwan não pode ser decidido por forças estrangeiras e defende maior investimento em defesa.
- O discurso ocorre em meio à visita de Donald Trump à China e ao endurecimento das tensões entre EUA, China e Taiwan, com Pequim considerandoTaiwan parte de seu território.
- O governo taiwanês diz que a modernização das forças de defesa e a aquisição de material estadunidense visam garantir a segurança de Taiwan e promover a paz no estreito.
- Trump evitou falar abertamente sobre Taiwan durante a visita a Pequim e, em entrevista, disse que pode haver ou não a venda de armas a Taiwan, sem compromisso firme.
- Lai rejeita a fórmula de “um país, dois sistemas” e sinaliza abertura para relações estáveis com a China, desde que seja respeitada a democracia de Taiwan e a decisão do seu povo sobre o futuro.
O presidente de Taiwan, Lai Ching-te, afirmou que o futuro da ilha não pode ser decidido por forças externas. A declaração ocorreu em Taipé, durante uma coletiva para avaliar os dois anos de governo de Lai, em meio à turbulência internacional gerada pela visita de Donald Trump à China.
Lai enfatizou a necessidade de ampliar os investimentos em defesa para aumentar a dissuasão na região. Ele afirmou que a modernização das forças armadas não visa provocar, mas prevenir conflitos, destacando que a paz no estreito de Taiwan é essencial para a segurança mundial.
Contexto regional
A ilha, autodeclarada democrática e com 23 milhões de habitantes, é vista pela China como uma província rebelde. Pequim mantém a reunificação como objetivo estratégico, sem abrir mão do uso da força caso necessário. Washington, por sua vez, vende armas a Taiwan, mantendo uma política de ambiguidade estratégica.
Trump visitou a China recentemente, sem se pronunciar publicamente sobre Taiwan durante a passagem pelo país. Em entrevista à Fox News após deixar a China, Trump disse que os taiwaneses podem ficar tranquilos, reiterando que não pretende apoiar a independência de Taiwan nem iniciar guerras para defender a ilha. As falas foram recebidas com cautela em Taipé.
Comércio de armas e respostas
Trump não se comprometeu com a assinatura de um pacote de armas de 14 bilhões de dólares para Taiwan, aprovado pelo Congresso, mas ainda não executado pela Casa Branca. O tema gerou tensão entre Washington e Pequim, com Xi Jinping pedindo cautela na venda de armamentos.
Lai reiterou que a aquisição de recursos militares é parte de uma estratégia para manter a paz e a estabilidade no estreito, além de proteger a população taiwanesa. O líder taiwanês sinalizou abertura para relações estáveis com a China com base na igualdade, desde que não haja pressão de unificação.
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