- Lula disse ao Washington Post que não pretende interferir na relação entre Trump e Bolsonaro; “isso é problema dele”.
- Reconheceu divergências políticas com Trump, mas disse tentar separar isso do trato entre chefes de Estado.
- Afirmou que a relação Brasil-EUA piorou no ano passado após tarifas brasileiras e sanções norte-americanas, e que reagiu publicamente.
- Contou sobre o encontro com Trump: provocou o presidente sobre a expressão séria nas fotos; Trump disse que eleitores gostam de líderes com cara séria; tom pode mudar após a eleição.
- Sobre Venezuela, Cuba e China, disse que quer manter o Brasil como interlocutor, depende da disposição dos governos; citou Maduro, defendeu negociações com Cuba sem imposições e afirmou que o comércio com a China hoje é maior que com os Estados Unidos.
Luiz Inácio Lula da Silva concedeu entrevista ao Washington Post, na qual afirmou que não pretende interferir na relação entre Donald Trump e Jair Bolsonaro. O presidente brasileiro disse que esse é um assunto entre eles e que não fará gestos para influenciar a relação.
Lula relatou o encontro com Trump ocorrido há cerca de dez dias e comentou sobre a agenda bilateral, destacando divergências políticas sem afetar o relacionamento entre os dois governos. Ele citou posições sobre guerra no Irã, Venezuela e o conflito na Palestina como temas de discordância.
Ele também explicou que a deterioração das relações entre Brasil e EUA no último ano ocorreu após a adoção de tarifas sobre exportações brasileiras e sanções a autoridades brasileiras, reagindo publicamente a essas medidas.
Encontro com Trump e agenda regional
Lula relatou ter provocado Trump sobre a seriedade das fotos vistas na Casa Branca, em tom de provocação. O ex-presidente brasileiro disse que o mandatário americano respondeu que eleitores preferem líderes com expressão séria.
Segundo o relato, o brasileiro argumentou que o tom pode mudar após as eleições. Lula afirmou que, na prática, é possível adotar um tom mais leve na convivência entre os dois governos após o pleito.
Definição de posição externa
O presidente afirmou que a relação com Trump é estratégica, com objetivo de manter o Brasil como interlocutor em crises internacionais, desde que haja disposição mútua para mediação. Ele ressaltou que nenhum mediador pode atuar sem a anuência dos governos envolvidos.
Sobre Venezuela, Cuba e China, Lula disse que o Brasil busca manter-se como interlocutor, porém o andamento depende da vontade dos governantes. Em relação à Venezuela, ele citou a necessidade de eleições monitoradas para reduzir desconfianças externas.
No caso de Cuba, Lula defendeu abertura de negociação sem imposições, sinalizando confiança na participação cubana. Sobre o multilateralismo, ele disse esperar um papel mais ativo dos EUA na cooperação global.
Na pauta comercial, Lula destacou que o Brasil hoje negocia com a China em volume superior ao comércio com os Estados Unidos, ressaltando que essa relação decorre de fatos geopolíticos e econômicos, não de uma preferência brasileira.
Fontes e contexto
A entrevista ao Washington Post abordou ainda a percepção de Lula sobre o papel de Washington em temas internacionais, sem fines de intervenção direta na relação bilateral entre EUA e Brasil. As falas estão inseridas no contexto de debates sobre política externa brasileira e perspectivas para a região.
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