- A China tem forte controle sobre terras raras, materiais essenciais para chips, jatos de guerra e outros setores, o que se tornou um trunfo na guerra comercial com os EUA.
- Pequim foi firme ao impor restrições de exportação de terras raras no ano passado, intensificando negociações com Washington e contribuindo para uma trégua comercial de um ano que expira no outono.
- Mesmo com esforços dos EUA para diversificar supply chains, especialistas dizem que a dependência de China ainda é significativa e leva tempo para transformar anúncios, financiamento e parcerias em fornecimento estável.
- Hoje, a China domina cerca de 85% do processamento e mais de 90% da produção de ímãs, além de controlar a separação de terras-raras pesadas, o que mantém o país em posição privilegiada nas negociações.
- No cenário americano, há planos como o “Projeto Vault” e aquisições de empresas para fortalecer a cadeia de suprimentos; no Brasil, a compra da Serra Verde pela USA Rare Earth está sob investigação antitruste.
China ainda usa o controle sobre terras raras como carta-chave nas negociações com os EUA, que antecedem a cúpula entre o presidente Donald Trump e o líder chinês Xi Jinping. A Comissão da Casa Branca e o governo americano tentam reduzir a dependência, mas a influência de Pequim persiste.
Especialistas divergentes apontam que o arsenal de recursos raros afeta chips, aviões de combate e outras tecnologias estratégicas. Beijing impôs restrições de exportação desde 2024, desencadeando negociações de alto nível e uma trégua comercial de um ano, que vence no outono.
Apesar de esforços americanos para diversificar fontes, a dependência de falhas logísticas e de capacidade produtiva ainda é visível. A demora para transformar anúncios em cadeias de suprimento funciona como vantagem de Beijing.
As terras raras, grupo de 17 elementos, não são tão raras quanto o nome sugere; o desafio está em viabilizar a exploração e o processamento em escala comercial. Em geral, o domínio de Pequim impõe preços globais e limita concorrentes.
Atualmente, a China controla cerca de 85% do processamento global e mais de 90% da produção de ímãs, com forte controle sobre o mercado de terras raras pesadas. Esses componentes são cruciais para várias aplicações industriais.
A situação acarreta vulnerabilidade para os Estados Unidos, especialmente em setores militares. Enquanto o Pentágono depende desses materiais para munições, a diversificação ainda demanda tempo e investimentos significativos.
No radar do governo americano, há planos bilionários para fortalecer a segurança da cadeia de suprimentos, inserir o projeto Vault e firmar dezenas de acordos no exterior. A estratégia busca reduzir, ainda que gradualmente, a dependência de Pequim.
Paralelamente, a empresa USA Rare Earth anunciou, no mês passado, a aquisição do Serra Verde, no Brasil, um ativo com reservas de terras raras pesadas e uma planta de processamento. A operação depende de aprovações regulatórias locais.
A aquisição, ainda sob escrutínio do Conselho Administrativo de Defesa Econômica brasileiro, aponta para ampliar o portfólio fora da China. Em contrapartida, analistas alertam que a diversificação levará tempo e exigirá investimentos consistentes.
Em paralelo, autoridades japonesas mostram que a lição do passado foi diversificar a partir de investimentos, parcerias e de ofertas de compra. Mesmo com esses movimentos, o Japão continua dependente de importações de terras raras.
Para companhias americanas, o objetivo é consolidar uma cadeia de valor robusta e sustentável. Executivos ressaltam que, com o tempo, a relevância das terras raras nas negociações diplomáticas tende a diminuir conforme a capacidade doméstica se fortalece.
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