- Mais de vinte milhões de fiéis visitavam anualmente Kerbala, principal destino de peregrinação chiita, mas a ofensiva de Estados Unidos e Israel contra o Irã reduziu severamente o turismo religioso.
- O espaço aéreo iraquiano está fechado e as peregrinações enfrentam longas filas e fiscalização rigorosa; iranianas viajam para três dias de oração após longas viagens rodoviárias.
- A viagem prática envolve deslocamentos de até quinze horas cada sentido, com restrições de foto e circulação dentro do mausoléu.
- O turismo religioso respondia por cerca de cinco bilhões de euros em receitas anuais e sustentava mais de sessenta por cento do emprego local em Kerbala e Nayaf; a queda de visitantes impacta fortemente a economia.
- Irã, Iraque, Barém e Azerbaijão têm maioria chiita, enquanto muitos peregrinos vêm de outras regiões; há relatos de solidariedade entre peregrinas e referências a líderes iranianos na decoração do local.
Peregrinos chiitas visitam Kerbala, cidade santa ao sul de Bagdád, em meio a um cenário de insegurança regional. A aglomeração acontece apesar de o espaço aéreo iraki foi afetado pelos conflitos entre Estados Unidos e aliados, que prejudicam o fluxo de visitantes.
Pelo menos 20 milhões de fiéis vinham à cidade anualmente para o mausoléu de Hussein, filho do profeta Ali. A ofensiva contra Irã, conduzida por EUA e Israel, reduziu significativamente o turismo religioso, tradicional motor econômico de Kerbala e Nayaf.
A presença de iranianos vem diminuindo. Muitos chegam de Teerã apenas para três dias de visita, enfrentando jornadas de até 15 horas de estrada. Fotos estão proibidas, mas viagens recentes revelam forte mobilidade de mulheres em abayas, em meio a controles de segurança.
Impacto econômico do turismo religioso
Além da dimensão espiritual, o turismo religioso sustenta a economia local. Estima-se que esse fluxo represente cerca de 5 bilhões de euros anuais, com mais de 60% do emprego local ligado a Kerbala e Nayaf, segundo dados setoriais.
A queda do turismo afeta hotéis, restaurantes e comércio de souvenires. Muitos vendedores relatam redução de clientela, atribuindo o recuo à suspensão de voos e ao fechamento do espaço aéreo regional, agravando a demanda por serviços.
Pessoas de várias origens, incluindo iraquianos e iranianos, revelam dificuldades de viagem e planejamento. Residentes de Qom relatam que a guerra pode se prolongar, influenciando escolhas de peregrinação e percepção de risco.
Relatos de peregrinos destacam o caráter de solidariedade entre os participantes, bem como preocupações com a situação regional. A presença de figuras políticas iranianas e regionais nas pendentes de murais reforça a dimensão geopolítica do templo.
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