- A guerra atual não tem como foco principal impedir uma bomba iraniana, mas o programa nuclear continua relevante, com material suficiente para várias armas.
- o Irã possui mais de 400 quilos de urânio altamente enriquecido, centrífugas avançadas e, possivelmente, cientistas com expertise bélica; parte do material está enterrada de forma difícil de alcançar.
- Com a morte do líder Ali Khamenei, surge Mojtaba Khamenei como possível novo mandatário, com grande influência do glossado Corpo da Guarda Revolucionária (IRGC), o que pode acelerar decisões sobre nuclear.
- Mesmo diante de custos do conflito, é provável que o Irã permaneça no poder ao fim da guerra, mas enfraquecido e com forte incentivo para desenvolver armas nucleares.
- Um acordo nuclear é mais difícil desde 2015 e exigiria monitoramento mais invasivo; na ausência de acordo, os EUA poderiam conduzir uma campanha longa de golpes para evitar avanço nuclear.
Depois de ataques iniciais que atingiram o topo do governo iraniano, o regime buscou manter a continuidade. Foi criado um conselho de liderança interina, seguido pela nomeação de um novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei.
A forma de poder pode ficar mais influenciada pela Guarda Revolucionária, que domina cargos estratégicos. Há rumores sobre o estado de saúde do novo líder e de quem comanda decisões cotidianas no governo.
Continuidades e riscos
Do ponto de vista de não proliferação, esse desfecho é perigoso. Elementos pragmáticos poderiam favorecer a diplomacia nuclear, especialmente pela necessidade de isentar sanções para a reconstrução pós-guerra.
Entretanto, o cenário mais provável é que a decisão de construir armas surja como forma de dissuasão diante de futuros golpes. Ali Khamenei guiou a política nuclear desde 1989, mas não chegou a promover plenamente as armas.
Obstáculos e cenários de weaponização
Acesso ao material enterrado pode ser difícil de detectar. Mesmo com possível atraso, o regime pode completar etapas de weaponização, com um dispositivo rudimentar usando urânio de alta concentração. O receio de retaliação pode reduzir o efeito dissuasor.
Desconfiar de compromissos ocorrem após a saída dos EUA do acordo nuclear. O regime pode interpretar a sobrevivência à guerra como oportunidade para não aceitar condições de verificação estritas.
Caminhos diplomáticos e opções estratégicas
Caso haja acordos, exigências de monitoramento mais invasivo seriam inevitáveis, incluindo inspeções em sites militares. Diplomacia permanece relevante para explorar divisões internas no regime e buscar uma via não nuclear.
Sem acordo, o governo americano precisaria sustentar uma campanha de ataques com precisão, buscando evitar uma ruptura nuclear. A inteligência disponível enfrenta incertezas pela ausência de inspetores internacionais no terreno.
Quais são as implicações regionais
A Irão pode manter a habilidade de perturbar o estreito de Hormuz, usando esse instrumento como ferramenta de pressão. A superioridade regional ainda depende de capacidades, alianças e apoio econômico que podem oscilar após o conflito.
O regime pode permanecer rachado entre forças civis e militares, com a coreografia de poder cada vez mais difícil de prever. Protestos internos complicam a estabilidade e mantêm o país vulnerável a mudanças repentinas.
Considerações sobre o futuro
Washington precisa avaliar lições da guerra e desenhar respostas para o futuro. Mudanças de regimes e desnuclearização não se alcançam apenas pela força. Soluções políticas passam por acordos e por monitoramento robusto.
É preciso preparar-se para cenários imprevistos, incluindo instabilidade pós-conflito que possa favorecer saídas de material nuclear. O país enfrenta uma agenda complexa entre segurança, diplomacia e reconstrução.
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