- A ONU encara uma crise financeira e depende da escolha do novo secretário-geral para garantir o futuro da instituição.
- A corrida para suceder António Guterres encolheu de cinco para três candidatos, com Virginia Gamba ausente e Macky Sall sob contestação de seus apoiadores.
- O atraso financeiro dos Estados Unidos soma-se às dificuldades da organização: em 2025, o país contribuiu com 4,3% de uma quota de 22%, e pagou 160 milhões dos 4.000 milhões de dólares devidos.
- Debates sobre uma mulher à frente da ONU ganharam espaço, com duas candidatas na disputa: Michelle Bachelet (apoio chileno retirado) e Rebeca Grynspan; Rafael Grossi também figura como candidato.
- A reforma do financiamento e do Conselho de Segurança é apontada como crucial, com consenso de que o próximo líder deve tornar a ONU mais eficiente, com multilateralismo de baixo custo.
A ONU encara o seu futuro em meio a uma crise de multilateralismo, com o peso de uma cobrança por mudanças profundas na governança, finanças e liderança. O tema central é a sucessão de António Guterres, marcada por dúvidas sobre o papel do órgão e pela necessidade de um novo marco financeiro e político.
A organização precisa mostrar capacidade de mediação em conflitos, além de romper barreiras históricas de representatividade. Entre os desafios estão o teto de vidro para lideranças femininas, dívidas acumuladas e um veto persistente dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança. O calendário aponta para 1º de janeiro, quando a nova liderança deve assumir.
Crise financeira
A retirada de Estados Unidos de várias agências da ONU expõe uma crise financeira estrutural. Em 2025, Washington contribuiu com apenas 4,3% da quota, deixando um saldo pendente de cerca de 4 bilhões de dólares. Apesar de pagamentos recentes modestos, o déficit continua significativo frente a acordos anteriores.
Especialistas alertam que o próximo secretário-geral precisa ser um gestor capaz de racionalizar um sistema com escassez de recursos e burocracia lenta. A necessidade de decisões firmes para reduzir custos é enfatizada por analistas e atores da comunidade internacional.
Candidaturas à liderança
A lista de candidatos encolheu de cinco para três nomes. A argentina Virginia Gamba abandonou a corrida; o senegalês Macky Sall encontra resistência entre apoiadores. Entre as alternativas em destaque, figura Michelle Bachelet, cuja candidatura enfrenta desaprovação de seu governo no Chile e desconfianças de outras potências.
Outra opção com peso é a costarriquenha Rebeca Grynspan, com trajetória extensa na ONU e experiência diplomática. O terceiro nome em discussão é o argentino Rafael Grossi, atual diretor do OIEA, que pode ter apoio variável conforme as situações internacionais em andamento.
Perspectivas e mudanças
A escolha de uma mulher para liderar a ONU seria vista como sinal de renovação, especialmente para setores do sul global descontentes com a inação do organismo diante de crises. Contudo, especialistas lembram que avanços nesse sentido devem vir acompanhados de reformas de governança e financiamento.
Para enfrentar a crise, propostas já aparecem: repensar o modelo de financiamento, tratando a cooperação como responsabilidade coletiva, e reduzir o tamanho da organização para torná-la mais eficiente. A aposta é que o próximo líder alinhe diplomacia de crise com gestão econômica responsável.
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