- Aproximadamente vinte mil marítimos estão presos em mais de 2.500 navios a oeste do estreito de Hormuz, após o fechamento da passagem.
- Entre os presos, estimam-se de 2.500 a 3.000 são indianos, com relatos de abandono e dificuldades como falta de comida, salários e meios de retorno.
- O marujo Abdur Rehman, que trabalhava no SkyLight, foi resgatado por autoridades omanenses após o ataque que matou dois colegas indianos e deixou o navio em chamas.
- O governo da Índia tem buscado garantir passagem segura para navios que levam bens essenciais; até o momento, oito navios-tanque de gás liquefeito com bandeira da Índia conseguiram retornar ao país.
- Especialistas ressaltam vulnerabilidade de tripulantes em embarcações de bandeira de conveniência e a necessidade de fortalecer a proteção, a informação sobre direitos e a prevenção ao abandono de marítimos.
A travessia pelo Estreito de Hormuz está interrompida, deixando milhares de marítimos indianos em situação precária. O ataque a bordo do SkyLight, petroleiro com bandeira de Palau, acendeu o alerta sobre as dificuldades de repatriação e segurança no percurso.
Abdur Rehman, cozinheiro de bordo, acordou com explosões que incendiaram o navio e deixaram o camarote em fumaça. O barco ficou sem luz e com o fogo por perto. Um colega o guiou para fora, evitando que ficasse preso no dormitório.
O episódio ocorreu na madrugada de 1º de março, quando o SkyLight operava no Golfo de Omã. Dois tripulantes indianos, o capitão e um operador de vedação, teriam morrido no ataque, segundo relatos do sobrevivente.
A situação de milhares de tripulantes presos
No conjunto, cerca de 20 mil marítimos estão engajados a bordo de 2.500 navios retidos a oeste do Estreito de Hormuz. Entre eles, estima-se que de 2.500 a 3.000 sejam indianos, segundo organizações da indústria.
A comunidade marítima da Índia enfrenta uma crise de abandono, com muitos trabalhadores sem alimentação, salários ou meios de retorno, especialmente em embarcações de bandeiras de conveniência. As autoridades nacionais veem uma rede de recrutamento irregular entrelaçada a contratos abusivos.
Dados da Federação Internacional dos Trabalhadores do Transporte indicam recorde de abandono em 2025, com 6.223 tripulantes deixados para trás em 410 navios. Entre eles, 1.125 eram indianos.
Posicionamento e ações do governo
Em 23 de março, o Primeiro-Ministro Narendra Modi afirmou ao parlamento que o governo trabalha com fornecedores globais e monitora rotas pelo Golfo para permitir passagem segura de navios com petróleo, gás e fertilizantes destinados à Índia.
Até o momento, oito cargueiros de gás liquefeito com bandeira da Índia alcançaram o território nacional após cruzar o Estreito de Hormuz, resultado de negociações diplomáticas entre Índia e Irã.
Specialistas destacam que a segurança de navios depende de acordos formais e de proteção eficaz. A gestão de rotas envolve as bandeiras de origem dos navios e a cooperação entre jurisdições, além da presença naval regional.
Desafios adicionais e perspectivas
Analistas apontam que a Índia precisa dimensionar quantos tripulantes permanecem a bordo de navios de bandos diferentes, não apenas os com bandeira indiana. A falta de informação diária complica a mobilização de respostas rápidas.
Alguns especialistas defendem que manter navios em áreas sem garantia de passagem segura aumenta o risco de escassez de suprimentos, desgaste de equipamentos e condições de sobrevivência para a tripulação.
Em resposta, autoridades e sindicatos destacam a necessidade de reforçar a proteção aos marítimos, com maior fiscalização de recrutamento, acesso a informações claras sobre direitos e vias legais de retorno.
O que dizem representantes e sindicatos
Profissionais afirmam que muitos estão dispostos a aceitar adicionais de risco para manter empregos, sob a pressão de ganhos imediatos. Existem casos de trabalhadores que relatam receio de retaliação caso rejeitem viagens arriscadas.
Defensores dos trabalhadores lembram que a Convenção da Organização Internacional do Trabalho sobre o Trabalho Marítimo, vigente desde 2006, protege direitos, mas a comunicação sobre eles ainda não alcança todos os marítimos, especialmente os recrutados de forma irregular.
Rumo ao retorno e à normalização
Para os que já retornaram à Índia, a experiência foi de alívio acompanhada de preocupação com quem ficou no mar. A repatriação continua, com foco em navios envolvendo bandeiras de óbito e de conveniência, enquanto a diplomacia tenta ampliar corredores seguros.
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